terça-feira, 7 de abril de 2009

Não importa quantas vezes ela o encontra, durante quanto tempo se conhecem nem a frequência com que se falam.
É deitar seus olhos de afeto naqueles olhos negros que tudo acontece.
Ainda não se acostumou com a presença dele em si. A idéia de tê-lo transborda a cada suspiro, sua presença acelera ferozmente sua respiração.
Ela finge, finge. Já não é mais menina. É mulher forte, segura, inabalável...
Mas perde o chão a cada beijo indescritível que ele deposita em sua boca.
Aquele tipo de beijo que só de pensar me faz fechar os olhos e transfigura de imediato meu rosto sério de reflexão e busca de palavras adequadas num simples sorriso apaixonado (sem o perdão da palavra).
E os sorrisos dela são tão frequentes! Vêm de carona com a idéia dele, com sua presença no seu coraçãozinho aberto.
E o sorriso que é de satisfação total é também de anseio pelo próximo encontro. Não tem pressa, apenas vontade forte e desejo quase que incontrolável. Mas controlo.
Controla, mas continua mordendo os lábios de pensar no abraço forte que a deixa sem ar.
E tenta não emendar um pensamento no outro, mas é inevitável.
Vai do olhar doce ao abraço protetor, do beijo quente ao toque voraz...
E já já adormeço flutuando com a lembrança do seu corpo lindo no meu. Abrigando o meu corpo que ineditamente vejo como pequeno e frágil.
Quis falar palavras bobas, cor de rosa, mas preferi escrever.
Uma boa noite.
Chega, Julinha. vai estudar...

quinta-feira, 12 de março de 2009

um engano

Ultimamente não tenho tido muito tempo pra escrever coisas novas, então sinto não lhes atualizar sobre tudo (mas meus e-mails servem pra isso também :P).
Resolvi, então, postar um texto que escrevi em 2006. Numa época em que minha produção foi um tanto influenciada por traços roseanos, como perceberão.
Não o assunto, já que não trato do nosso sertão. Como já perceberam, meu assunto é geralmente o mesmo, e acho que vocês já devem até ter cansado. Sei que o cansaço se me antecipa.
De qualquer maneira, meu textinho. Tenho certo apreço por ele, porque não editei e ele me saiu muito natural quando o concebi. É assim que vocês o lêem.
Quem sabe de mim pode rir ao final, já que o final foi-me engano.
Não coloco o título para preservar o anonimato do meu "você".



O trágico nunca - nunquinha - vem a conta gotas. Daí veio você. A branquice do abrir da tua boca, aquele todo-largo derrubou tudo, com tudo, no meu tudoisso. No nemsefalar do beijo, a nomeupescoço barba, o corpirradinho foi ficando, suando, suando.
Daí teu aquilengraçadinho em mim.
Num num-sei-que quentinho, estranho assim, você ficou ficando.
E foi-se embora, me machaducando, me infernandesando. Nem um tchau ou até nunca mais ver. Ficaram reticências.
E passou semana, mês, homens, sexo, meses, e a reticência continuava reticenciando. Minhas lágrimas imitavam, continuavam, e quase quase as ensinavam. Porque avam, avam. Avando, assim, sem parar, eu ia com elas: Buá.
Deu-se que um dia eu cansei de buar. As infinitas pequeninas, teimosas e fingidinhas, buavam sem parar, grudadas em reticências.
Um homem bom. Um ponto upsou, assim, bem de surpreendentesa. O outro, mais em mim, muito em mim, em mim demais, ficou por finitos maio, junho e julho. Quando se deu infinitamente o agosto, aconteceu:
Flup!
Mas, sem mais, no mais das más lembrancinhas curtinhas de você, assim, tão efêmero - bola de sabão- flupou.
e eu fiquei assim, contentinha, porque sumiu mais um ponto das reticências - e você, sapeca, dividira-se em dois deles.
Sumiram os insistentes, e ficou só o tão amado, idolatrado- Salve salve! - e esperado:
O final.

21/09/2006

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Esse cara

Sem muita disposição pra escrever hoje, então posto aqui a letra de uma música do Caetano, Esse cara, que é tantos caras pra tantas de nós.

Ah, que esse cara tem me consumido
A mim e a tudo que eu quis
Com seus olhinhos infantis
Como os olhos de um bandido
Ele está na minha vida porque quer
Eu estou pra o que der e vier
Ele chega ao anoitecer
Quando vem a madrugada, ele some
Ele é quem quer
Ele é o homem
Eu sou apenas uma mulher

Nesse vídeo estão Chico e Caetano ainda moços. Caetano canta Tatuagem (uma de minhas músicas preferidas do Chico), e Chico canta Esse Cara
http://www.youtube.com/watch?v=TB6Cpy-X7A8


enjoy!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Que inveja da Paula!

Ontem me deitei por volta da meia noite e durante quase uma hora fiquei perdida nos meus devaneios, numa luta desigual contra meu sono fraco.
Minha imaginação alcança lugares inalcançáveis e pessoas inatingíveis, e deitada nas minhas aconchegantes fantasias, minha felicidade lateja.
Como é cruel o Acaso...
No fatídico momento em que eu desejava o improvável, berrou no escuro meu celular. Foi à 1:02:26 da manhã.
Dei um pulo de susto e abri sorriso de felicidade, crendo na força do meu pensamento.
"É ele!"
Ria-se, ria-se. Eu ri também.
Abri meu celular e o visor também riu da minha cara. Não apareceu seu nome (pois é... agora o tenho na minha agenda, pra ver se minha memória se desacostuma com a ordem dos números que já inúmeras vezes foram discados em vão), ao invés disso 7353... QUE ÓDIO
Nem me dei ao trabalho de atender, pois além de provavelmente ser a cobrar, eu já falei pro imbecil que me liga que eu não sou a porra da Paula e não estou me importando se ele a ama ou não!!! Na cólera de frustração em que eu me encontrava, o insistente rapaz ouviria palavras nada agradáveis, então nem atendi.
Ai me coloquei no lugar do pobre coitado.
Tirando o fato de ele ser, de fato, um imbecil, uma vez que eu já lhe disse que eu NÃO SOU A PAULA, temos algo em comum: Somos ambos persistentes.
Depois que ignorei sua ligação imaginei que ele deveria estar se sentindo exatamente do jeito em que me sinto quando uma ligação minha é deixada de lado.
Deixei de lado porque incomodou-me. De certo incomodo também.
Não quero ouvir o que essa pessoa tem a dizer, e talvez você também não queira.
Ai, ai... Como pode ser cruel o Acaso.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Comemoro

Eu sou do tipo de pessoa que celebra as pequenas conquistas. Coisas que me são importante, mas que para outras pessoas não tem o mínimo significado.
Comemorei demais quando passei na UFSC. Menos por ter entrado na universidade do que por então ter a certeza de não mais ter que fazer cursinho. Comemorei quando passei na UNESP, pois era pra Araraquara mesmo que eu queria ir. Eu? Voltar a morar em São Paulo, aquela cidade caótica? Nem que me paguem.
Não me pagaram, mas me mandaram. Quando passei na USP não houve aquele momento em família em que se discute pra onde é melhor ir: Vai pra USP.
Pois fui, comemorei, gostei e fiquei.
Comemorei quando consegui pegar a habilitação que eu queria, assim como comemoro intimamente todos os ideogramas que eu consigo reconhecer só de bater o olho.
Comemoro com sorrisos de contentamento todos os momentos que passo com os meus. Sei o valor que amigos e família têm na minha vida, e durmo, sem brincadeira, todas as noites agradecendo à Deus (ou ao Universo, ou ao meu Anjo da Guarda, ou coisa que o valha) por eu ter a família que eu tenho. Acredito que pra mim cabe muito agradecer do fundo do coração, considerando que eu poderia ter tido uma vida completamente diferente se tivesse sido adotada por outra família.
Então agradeço o perfect timing dos meus pais (os reais, os únicos que conheço, me importo e amo). Por causa deles tenho as irmãs que tenho, a família que tenho e, sim, os amigos e a vida que tenho.
Comemorei quando consegui entrar na saia que por anos ficou esquecida, e que posteriormente foi pendurada pra fora do armário para que eu me visualizasse dentro dela. Comemoro mais ainda por saber que hoje a saia me cabe muito bem, e que já não tenho roupa alguma pendurada pra fora.
Comemorei como uma criança que ganha um brinquedo novo o dia em que mudei de decimal nos meus quilos. Uma vez, e depois, novamente. Sai dos 70! Relendo escritos meus de um ano atrás, chegar nos 70kg parecia algo inalcançável, e hoje, não apenas consegui, como ultrapassei e continuarei emagrecendo até alcançar minha meta. Comemoro cada grama emagrecida. "Mereço, aceito, agradeço e quero mais."
Comemorei quando consegui correr 40 minutos sem parar, depois 45, 50, 55, 60, 65, 75, 85 e 95!! Uau! 95 minutos de corrida, Julinha! "Não imaginaste que terias este preparo, né?"
Não, não imaginei.

Sorrio a todo elogio que recebo, a todo flerte inesperado. Gosto de ver meu trabalho reconhecido
Todos os dias que consigo superar meus limites eu comemoro, pois a cada pequena barreira que eu venço, cada carga adicional na musculação, cada 100 metros a mais percorridos, aproximo-me do meu objetivo, e me certifico de que, realmente, nada é impossível desde que queiramos. A cabeça também aprende com o corpo.
Comemorei as decisões acertadas que tomei recentemente, mesmo tendo passado por momentos críticos, e mesmo tendo escolhido um outro caminho pra minha vida.
Tenho muitos motivos para ser grata e para comemorar.
Mas ainda falta comemorar muita coisa.
Agora o que eu finjo querer é comemorar o dia em que passarei sem pensar em você.
Não digo as horas, porque não sou assim tão romântica, e tenho vida própria.
Mas a manhã em que acordarei sem pensar em você será praticamente inédita nos últimos 3 anos. 3 anos!
As noites têm sido diferente. Sempre penso, ás vezes fantasio, ás vezes sinto falta, nostalgia.
E meus sonhos ás vezes conseguem se livrar do pensamento em você.
Ontem fui dormir pensando em você, mas comecei a sonhar em paz.
Mas que inferno! Mensagem às 5 da manhã! Deve ser aquele louco que acha que eu sou uma tal de Paula, e que fica ligando a cobrar e se declarando por mensagens.
Não era. Não era declaração, era só você me respondendo objetivamente uma pergunta que eu já não tinha grandes esperanças de ser respondida.
No meio da minha noite meu sono foi interrompido. Sem problemas, logo voltei a dormir. O meu problema foi depois disso não ter conseguido convencer meus sonhos a não se configurarem em você.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

I´m yours

A pedido da Vivizinha (quem me apresentou essa música que não é exatamente a fina flor das composições, mas é bonitinha :P)

Peço perdão desde já pela minha má performance ao violão, mas achei melhor assim do que à capella.

E não aparecer meu rosto inteiro não foi por acaso. Não é necessário. As pessoas que acessam o blog já tão mais do que cansadas de verem meu rostin.

Bom carnaval a todos!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

(auto) tapa na cara

Recebi um artigo, novamente, daquele canal feminino, e veio a calhar.
O título é sugestivo: "Ele está afim de você?"
Mas se enganam se pensam que se trata de um simples teste em que se assinala "a" ou "b", e, se a maioria das suas respostas for "a", ele está te Amando, e se der "b", você é uma Babaca/Bocó/Boba, ou, ainda, ele tem intenção de te dar uma Bota.
Não.
O artigo, na verdade, não está entre os 100 melhores que eu já li. Às vezes tenho a impressão que não há tipo de esforço algum para escrever artigos que realmente interessem a mulheres (e não somente a menininhas leitoras de Capricho).
Enfim... O artigo em si me fez pensar sobre relacionamentos (propriamente ditos, pseudo ou proto) meus e de minhas amigas, e é nada impressionante, na realidade, como vários nomes me vieram à cabeça. Certamente vocês também se lembrarão de pessoas próximas. Uma frase, no entanto, despertou minha atenção por ser uma das verdades inegáveis do mundo: "a maioria dos homens não sabe dispensar uma mulher". Frase dita por um homem, Greg Behrendi, um dos roteiristas de Sex and the City e co-autor do livro "Ele simplesmente não está a fim de você".

No tédio em que me encontro neste Carnaval sem folia nem vontade de cair na gandaia, fiz uma retrospectiva de relacionementos meus e de que eu tive conhecimento (de amigas e amigos).
Não citarei nomes, mas, amigas, os sapatos disponíveis provavelmente cabem a mais de um que conhecemos :P

Fiz uma lista de algumas maneiras que os homens têm para tentar fazer-se entender que não estão interessados.

1- Achei necessário formar um grupo no item 1, já que as ações (ou falta delas) são semelhantes
a) Não ligam no dia seguinte (ou quando dizem que vão ligar)
b) Não atendem telefonemas nem mandam sms
c) Não respondem no msn
d) Não nos procuram no orkut
e) Atendem sem querer e desligam na nossa cara
f) Vêem que ligamos e não retornam

Acredito que de todas as formas de um cara não saber como dar um fora na mulher, estas do primeiro grupo são as piores. Não pretendo discutir caráter nem motivos. Digo que são as piores porque para nós simplesmente não faz sentido algum. Para toda mulher parece muito natural e imediato responder uma mensagem quando recebida, e atender ao telefone quando toca (e na impossibilidade de fazê-lo, retornar a ligação). Acredito ser questão de consideração e educação.
Quando isso acontece comigo eu fico desejando um dia encontrar na rua o cara e ligar pra ele, só para ver sua cara quando ele vê que estou ligando e não responde. Seria uma interessante experiência. Será que eles fazem cara de sarro? De "que saco, ela de novo!"?

2- (tirando do artigo) Depois de alguns encontros, o cara desaparece.

Se tem uma coisa que irrita profundamente não só a mim, como -acredito- a todas as mulheres é coisa mal-resolvida. Não é legal tomar nem dar fora, todos sabemos, mas deixar a coisa "no ar" é pior do que tudo. Mesmo que eles inventassem uma desculpa obviamente esfarrapada do tipo "vou mudar de cidade" ou "tenho dúvidas quanto à minha opção sexual" é melhor do que não dar um fim na coisa. O que eles parecem não entender é que nós somos, sim, capazes de absorver o que "não" significa, e que sobreviveremos ao fora. Além disso, não passa pela cabeça dos moçoilos que algumas mulheres necessitam da palavra final para colocarem fim no relacionamento.

3- A arte de enrolar.
Natural born artists são os homens. Movidos pela incapacidade de dar fim àquilo que não lhes interessa, eles simplesmente ficam num vai-não vai contínuo e desesperador. Às vezes ligam, marcam de sair e não aparecem. Respondem sms super fofos e dão bolo. Eles dão o bolo enquanto nós ficamos em banho-maria, até que eles estejam a fim de uma trepada fácil ou de um step pra acompanhá-los no churrasco do amigo.

4- A desculpa do sem tempo
Clássica.
Valendo-se da verdade que é viver na correria, principalmente da vida paulistana, o rapaz, trabalhador, estudioso, dedicado à família, nega todos seus convites de vocês voltarem a se encontrar. Enquanto isso, nós ficamos aflitas, esperando que surja uma horinha livre na agenda do rapaz para que possamos ir a um barzinho ou ao cinema. Muito provavelmente, SE ele voltar a nos procurar, a proposta de programa será completamente outra.

5- O indeciso
Acontece de o cara não ter certeza de seus sentimentos. Novidade para ele: Nós também não temos sempre. Independente disso, optamos por curtir os momentos agradáveis que passamos juntos ao invés de simplesmente tomar chá de sumiço. Não precisamos ter certeza do que sentimos para ter certeza do que nos faz bem. Eles às vezes parecem esquecer de tudo enquanto procuram certezas que talvez nunca encontrem.

6- O amedrontado
Uma novidade para os rapazes: Gostar de ficar junto não significa pedir em casamento (nem em namoro). Embora a mulherada tenda a fantasiar churrascos em família acompanhada pelo moçoilo, assistir juntinhos ao por do sol e brindar o Ano Novo juntos, nem toda mulher tem pressa de namorar. Cito Machado de Assis:
"Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento."


Certamente conhecemos e já nos relacionamos com alguém que atenda a uma (ou várias) das alternativas acima.
Não escrevi aqui para aconselhar ninguém além de mim mesma a repensar sua conduta quando lida com um cara desse tipo.
Às vezes tento argumentar que os homens são "sem noção" e "desligados", o que, de fato, são. Argumento por ser teimosa e persistir em algo que acredito que possa dar certo. Mas talvez seja hora de me dar um tapa na cara e acordar. Ele NÃO está interessado em mim. Se eu fizesse uma lista de motivos para acreditar que ele está afim e outra que ele não está afim, certamente a segunda teria algumas páginas, enquanto a primeira não passaria de poucas linhas.
Mas, terrivelmente, os fatos que me fazem pensar que sim por algum motivo me dão esperança e falam mais alto. Eu ando paciente e tolerante, não sei se até demais. Mas minha paciência parece ínfima quando lido com pessoas que são excessivamente pacientes.
Mas temo que confundo essa suposta paciêcia excessiva com falta de interesse. Então fico neste turbilhão de idéias e emoções, sem poder fazer nada além de escrever.
Vou ler um livro.

o link do artigo: http://www.minhavida.com.br/materias/bemestar/Ele+esta+a+fim+de+voce.mv?utm_source=news_mv_f&utm_medium=09_02_19&utm_term=header&utm_content=materia_dt&utm_campaign=afim_voce

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Coisa mais linda

Gosto muito de música popular brasileira e de bossa nova. Cresci ouvindo e cantando músicas desses gêneros, e me encanto com algumas composições.
Hoje ouvi uma cuja letra sempre me encantou. Os responsáveis pela composição não são ninguém menos que Carlinhos Lyra e, claro, Vinícius de Moraes.

Coisa mais bonita é você
Assim, justinho você
Eu juro... Eu não sei porque você
Você é mais bonita que a flor
Quem dera a primavera da flor
Tivesse todo esse aroma de beleza que é o amor
Perfumando a natureza ... Numa forma de mulher
Por quê tão linda assim não existe
A flor, nem mesmo a cor não existe
E o amor ... Nem mesmo o amor existe

http://www.youtube.com/watch?v=RGFv-dSAUjk&feature=related

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Algumas coisas que acontecem inesperadamente me deixam transtornada.
Ontem me aconteceu uma coisa que, além de transtornada, deixou-me irritada e me fez pensar sobre a cara deslavada que alguns homens têm.

Por volta das nove horas da noite de ontem, direcionava-me ao metrô Ana Rosa. Enquanto andava despreocupadamente pela rua Rodrigues Alves, vi vir em minha direção um rapaz por volta de seus 23 anos, loiro, olhos claro e estatura média. À medida que ele chegava perto de mim, não conseguia tirar meus olhos daquele rosto. Foi então que enquanto ele passava por mim, ouvi sair de sua boca as seguintes e lamentáveis palavras, seguidas de um olhar que ele pretendia ser do tipo 43:
- Oh, delícia!
E soltou pela boca um ruído que todas as mulheres já ouviram de um homem. Parecido ao ruído que fazemos quando queimamos a mão, antes de falar "ai".
Antes que eu pudesse absorver aquela informação grosseira, parei em frente ao sujeito, e espontaneamente disse:

- Eu te conheço!
O sujeito falava ao celular e ficou surpreso com minha reação. Desligou telefone e virou-se para falar comigo.
Eu, que estaria atônita se fosse provida dessa capacidade, comecei a rir e falei:
- Estudei contigo no Anglo!
Ele, duvidoso a princípio, só replicou:
-No anglo brasileiro?
-Sim.
-Eu estudei no Anglo Brasileiro.
- Eu era da sua sala! Você é o B.C!

Aquele nome trouxe consigo as lembranças mais fortes que eu tinha dele.
Mau aluno, bagunceiro, de poucos amigos e pinta de bad boy. Na classe todas as meninas o odiavam, porque ele era "nojento".
O nariz escorria o dia inteiro e ele vivia com um lenço sujo dentro do bolso da calça azul. B.C. não fazia questão de ser agradável a ninguém, e as crianças, maldosas como são, tinham uma brincadeira cruel:
Se acontecesse de B.C. tocar em alguma menina, esta fazia imediatamente uma cara de nojo, passava a mão no local onde ele tinha encostado, como limpando, e "repassava a sujeira" para a pessoa sentada à sua frente, dizendo: "meleca de C." E assim, sua meleca rodava a sala inteira até chegar a alguém que se enchesse de brincar.

Aquele reencontro me deixou desconfortável, pois eu não queria fingir que no passago tínhamos sido bons amigos. Na realidade, eu estava puta da vida por ele ter falado o que falou antes de me reconhecer, e ele nem desculpas pediu, e nem com cara de constrangido ficou.
Tive vontade de falar que aquele tipo de abordagens não lhe traria nada além dos mesmos olhares de nojo que as meninas de sua infância lhe direcionavam quando ele se aproximava delas.
Conversamos por uns 5 minutos, ele disse o que estava fazendo da vida, eu disse o mesmo, e nos despedimos como se aquele reencontro tivesse sido agradável:

- Legal te ver!

Mentira!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Já passei da fase de querer definir todas as coisas que tenho aqui dentro
E nem mesmo quero mais descrever o que vejo em você
Sua pele morena
Sua boca atraente
E até o seu sorriso que desabrocha meu olhar
De nada disso vou falar.
Que serventia têm minhas palavras
Que eternizam meus desejos, meus anseios
Mas que só pairam no ar?
Não sei quem me lê
E decerto não me podem entender
Minhas palavras são tão insuficientes!
A dimensão do seu olhar não consigo colocar em palavras
Menos ainda o que senti quando você me abraçou
Mas eu queria.
Queria poder eternizar aquele momento em todas as linhas que escrevo
Cantar a canção que nosso toque compôs no ar
Mas não posso
De que valem minhas letras soltas, então?
Memória minha, nunca me falhe.
Permita-me sempre lembrar dos momentos indescritíveis que vivi
Permita-me lembrar do beijo dele...
Ah... O beijo
Como podem seus lábios e língua se moldarem tão bem nos meus?
E tudo se afaga como que involuntariamente
Eu não preciso pensar em nada
Lábios atraem línguas que atraem nucas que atraem mãos que atraem peitos
E toda pele tua eu desejo tocar
E guardar no meu toque o calor, o odor, e toda a vibração que teu corpo causa em mim
Mas são só palavras.
Perdoem-me, palavras minhas
Eu espero muito de vocês.
Quero que sejam começo e meio
Quero que o tragam pra mim
São só palavras, minhas palavras
Partidas de mim,
Perdoe minhas palavras
Minhas explicações, definições
Nenhuma delas vale nada
Pois a melhor definição de qualquer sentimento que eu guardo em mim
De qualquer sensação que você me causa e que parece não ter fim
É falha
Pois por mais que eu escreva ou cante as mais belas canções deitada no breu
Nada disso vale um beijo teu.

Como ele é na cama? Tá na cara

Mais uma reportagem do canal feminino. Meninas, atenção no rosto do moçoilo antes de pistolar por ai. :P

Uma boa sedução começa tentando decifrar os segredos ocultos pela pessoa que chama a sua atenção. Que tal, então, descobrir como o alvo do seu interesse se comporta na cama antes mesmo de investir na conquista?
Para isso, basta reparar em algumas características físicas, como o tamanho dos olhos ou a distância entre as sobrancelhas, como explicam os mestres taoístas Mantak Chia e W.U. Wei no livro Reflexologia Sexual, um guia para os que se amam.
Por meio de estudos, eles mostram como a aparência pode revelar o potencial sexual de outra pessoa e sua compatibilidade física com ela. Olho nas dicas e foto do pretendente nas mãos para dar um adeus definitivo às decepções e às ciladas.
Lábios Os lábios são participantes ativos em qualquer paixão. De acordo com os autores, o lábio superior está mais ligado à natureza de dar amor, enquanto o inferior está relacionado ao ato de receber. Assim, homens e mulheres com lábios superiores mais carnudos têm personalidades mais propensas a dar carinho. Já as pessoas cujos lábios inferiores se destacam, preferem receber afeto. Apesar de ter os lábios inferiores mais avantajados, nenhum homem se importaria em dar amor à Sandra Bullock.
Dentes Ainda falando de boca, os dentes também revelam características interessantes. O tamanho e a disposição deles indicam dois fatores (com a vantagem de ambos serem positivos): personalidade estimulante ao sexo, nos casos de dentes grandes, e órgãos genitais bem dispostos, que proporcionam prazer ao parceiro, nos casos de dentes pequenos. A explicação traz algum sentido à rivalidade mantida entre os fãs de Julia Roberts e Nicole Kidman - a primeira dona de um largo sorriso, enquanto Nicole encanta pela discrição.
Olhos Não é a toa que a troca de olhares, aliada a algumas piscadelas, normalmente faz sucesso no início da paquera. Os olhos funcionam como guias do impulso sexual, basta atentar ao tamanho deles em relação ao rosto: quando grandes, indicam bons amantes, normalmente pouco afeitos à sedução verbal. Por isso, é tão comum encontrar pessoas de aparência superexpressiva, mas muito introspectivas. Trata-se, no fundo, de uma estratégia (ainda que inconsciente), que privilegia a manifestação de desejos e sentimentos por meio do olhar, em vez das palavras. Já o olhar fininho e sorrateiro, como o de Richard Gere, disfarça a personalidade mais racional de seus donos.
Sobrancelhas Até as sobrancelhas têm seus segredos. Mais especificamente, o espaço entre elas. Se a distância entre uma e outra for de mais de dois dedos indicadores, significa que o homem ou a mulher tem forte impulso sexual. Mas se controle e não saia correndo para medir a distância entre as sobrancelhas do Keanu Reeves, caso o encontre pelas ruas, algum dia - mesmo porque, no caso dele, a régua é dispensável.
Orelhas Os pontos erógenos (que provocam excitação) das orelhas são velhos conhecidos de muita gente. Mas poucos sabem dos segredos de personalidade que podem ser revalados por essa parte do corpo. Orelhas finas e pequenas são sinais de potencial sexual mais fraco, ao contrário das grossas e carnudas - atributo que só reforça o charme do veterano Sean Connery, por exemplo.
Nariz Mulheres com nariz fino, magro, ossudo ou pontudo têm personalidades marcantes, tendendo a ser mais sensíveis e nervosas. Também são consideradas mulheres naturalmente mais lascivas, segundo os autores do livro. Tese comprovada pela cantora Madonna, que coleciona um bom catálogo de ex-namorados. Já as mulheres de nariz pequeno e achatado tendem a ser mais afetuosas.


Coisa babaca. Deixaram de citar algumas partes importantes, não acham?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O destino da folha

Fiz desta folha página de um diário que nunca tive, pela urgência que tenho de compor o que está confusamente grafado dentro de mim.

De um repente não tão repentino, essa mera folha branca, há muito tempo esquecida na gaveta, tomou proporções que nem eu nem ela podíamos imaginar.

Semelhanças...

Era apenas uma folha de papel.

Dona de uma beleza modesta, sem grandes adornos. Tiras coloridas nas laterais, furinhos simétricos, marca da fábrica, 30 linhas pretas corriqueiras envoltas por uma fina moldura.
Era assim: Como outra qualquer. Verdadeiramente idêntica às suas 99 companheiras de bloco, que tiveram destinos diversos> Bombardeadas por ideogramas, emprestadas a amigos, dobradura, rascunho, e outras funções em que a folha em si não tem grande importância.


Folhas comuns, possuidoras da mais completa monotonia.

Esqueçamos das suas semelhantes e tratems desta.

Primeiro honrei com um "a" a segunda linha da folha. Por esse ato sem esforços já elevei a folhinha ao status de página. Não pretendo numerar, seria ostentação.

Depois o tema se despejou lentamente sobre as linhas, de forma desorganizada, e agredi então algumas delas com a branquidão da minha borracha. Continuo com a lapiseira.

O começo foi assim. Deu-se com tal naturalidade que me restam 5 linhas pra eu ter que virar a página, e a folha que antes só era folha é agora a base de um texto concreto, pensado, e futuramente trabalhado.

Sem que eu quisesse, deixaste de ser uma qualquer e te escreveste importante.

Mas por que motivo seria de outra maneira,já que tantas outras coisas na existência humana se dá do mesmo jeito?

A embalagem vazia de tic tac de cereja. Milhares de caixinhas iguais, mas a que eu possuía era única. Ele me dera, logo antes do primeiro beijo. Lembranças outrora guardadas e agora já em processo de esquecimento.

A sainha branca, tão ordinária, mas que por servir-me agora, depois de longos anos de espera e sofrimento, valem o mais exclusivo Chanel.
Você.


Claro que eu chegaria a você. Minha lapiseira já se posiciona propensa a te metaforar ou desfigurar. Aguarda meus engenhos.
Corpo entre muitos outros. Olhos comuns, cabelos transfigurados pela situação. Um bicho qualquer.


Mas veio o escancarar do teu sorriso me derrubar. Caí querendo. E o afago desapercebido nas mãos: beijos. Entrei

Entrei porque você, pedindo que eu não quisesse, fez-me entrar. De teimosia teria ficado, mas o issoaqui apagou a teimosia e fez-se imperador de mim, que sou teu reino.

Uma folha de papel, leito de confissão.

Teu sorriso branco, minha perdição.



(novembro de 2008)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Tenho


Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da
El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor
Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá
Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar
Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor
El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar
Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo
Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão
Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez
Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá

Miedo
Lenine
Composição: Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Reencontro

É todo toque.
Não importa se é dia ou noite, se madrugada.
Se nas ruas há temporal ou calma alvorada.
Quando você chega a mim
Tudo pára.
Nunca sei se tua bochecha ou tua boca espera meu beijo.
Por não ter segurança pra arricar, beijo a bochecha fingindo-me indiferente
Mesmo tendo só desejado tua boca nesses meses
Mas eu prefiro esperar.
Esperar seu sinal me permitindo te tocar
Nem consigo olhar nos teus olhos, por medo de me entregar.
Depois já nem conseguia sossegar. Em que posição eu devia deitar ao seu lado?
Sua boca me chamava, seu cheiro me hipnotizava, mas eu prestava atençao nA procura da felicidade.
E ela deitada ao lado de mim!
Controlei minha respiração pra não parecer nervosa quando seus braços envolveram meu corpo como nunca antes. Eu fingia não ligar, mas prestava atenção em tudo. No teu pulsar acelerado, no afago na tua barba no meu pescoço e até nos seus cílios piscando na minha orelha... Eu sentia as partes de você que buscavam coisas de mim - meu corpo, meu toque, meu cheiro. Eu me embriagava na certeza de você junto a mim.
Foi tudo muito natural.
E agora você se foi, mas seu cheiro, como sempre, fica em mim. No meu quarto, na minha roupa, entre meus cachos...
Tudo aqui agora tem você. Eu preciso escrever.
Essa madrugada é diferente, porque você veio.
E sei que meu sono será velado pela sua presença recente.
E eu me despido com um abraço e um beijo
Mas me falta coragem pra dizer:
Quero te ver novamente.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Percebo que sem brilho nos olhos, minha voz silencia.
Por mais de mês minhas cantarolices saíam frias, sombrias.
Voltei à minha terra
Voltei à minha língua
Voltei à minha voz!
Como é bom cantar!

http://www.youtube.com/watch?v=hoplfyrSTx0

(mal) gravado no dia 5/2/09

De volta ao samba

Pensou que eu não vinha mais, pensou
Cansou de esperar por mim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Aqui é o meu lugar
Eu vim
Fechou o tempo, o salão fechou
Mas eu entro mesmo assim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Aqui é o meu lugar
Eu vim
Eu sei que fui um impostor
Hipócrita querendo renegar seu amor
Porém me deixe ao menos ser
Pela última vez o seu compositor
Quem vibrou nas minhas mãos
Não vai me largar assim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Preciso lhe falar
Eu vim
Com a flor
Dos acordes que você
Brotando cantou pra mim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Aqui é o meu lugar
Eu vim
Eu era sem tirar nem pôr
Um pobre de espírito ao desdenhar seu valor
Porém meu samba, o trunfo é seu
Pois quando de uma vez por todas
Eu me for
E o silêncio me abraçar
Você sambará sem mim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Aqui é o meu lugar
Eu vim

De Volta ao Samba
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Depoimento de um pequeno drama pessoal

Aconteceu numa noite chuvosa de inverno.
O dia todo tinha sido coberto pelo cinza, a combinar com o humor do homem que me amava.
Era meu último dia em Budapeste, e o último nos braços do húngaro que tinha dedicado sua vida a me agradar durante todo o tempo que estivemos juntos.
A certeza de nunca mais acordar ao meu lado tinha feito daquela manhã a mais insuportável em que ele já tivera que acordar, mas ele sabia que ainda assim, aquela manhã chuvosa e fria - a do seu último dia comigo - seria ainda menos terrível do que as que se seguiriam.
Minha urgência de voltar ao calor dos abraços do meu país me fez antecipar meu retorno. Minha estadia na Hungria passou a não fazer sentido. O sentimento se extinguira, a rotina monótona me entediou e os maus tratos e a certeza de não ser bem vinda dada pela minha ex sogra me fizeram querer estar com minha mãe. Minha normal, feliz e amada mãe.
A notícia da minha decisão de voltar com um mês de antecedência causou naquele coração de amante incondicional uma fúria silenciosa. Ele disse entender, disse concordar, acatou. Como sempre, acatou minha decisão, pois sabia que não me convenceria do contrário. O único argumento que ele poderia usar - o amor- já não tinha valor algum pra mim.
E então veio a notícia que agravou sua tristeza: Minha amiga chegaria a Budapeste.
Não qualquer amiga. Uma grande amiga entre as amigas. Maridinha.
O entusiasmo que ela trazia nas malas com a saudades que se sente de quem se quer bem foi de encontro ao meu entusiasmo de reencontrá-la. Como eu precisava de um abraço amigo, brasileiro, sincero, em portugês! No instante em que nos encontramos, ela percebeu que meus olhos -com herpes, fruto do meu stress emocional- necessitavam sua presença.
Fomos, eu e ele, buscá-la na estação de trem. Depois do longo abraço carinhoso, apresentei a grande amiga a uma pessoa que eu não conhecia. Um imbecil, grosseiro, estúpido e mal educado vestido no terno do meu ex namorado.
Senti ela não o ter conhecido enquanto ele esteve no Brasil. Toda sua normalidade e alegria teriam sido relembradas naquele encontro, e talvez eu não tivesse o odiado tanto naquele momento.

- Desculpe pelos modos dele. Ele está de mau humor.

Tínhamos brigado logo pela manhã. Tudo para ele era motivo de discussão, e eu, exausta e farta de tanto discutir, resolvi calar-me. Falava firme e calmamente que não iria brigar com ele novamente, e isso pareceu lhe tirar do sério.
Eu dedicaria meu último dia em Budapeste à minha amiga. Ele foi trabalhar e fomos, eu e ela, passear pela cidade, e levar suas malas ao apartamento que ele gentilmente tinha conseguido com um amigo para hospedá-la.
Então contei a ela que aquele era meu último dia em território húngaro. Expliquei meus motivos que ela desconhecia e me vi, então, numa posição em que jamais pensei ocupar.
A quem deveria eu dedicar minhas últimas horas em Budapeste? À amiga boa e de longa data, ou ao namorado, que já era ex, e quem eu nunca mais veria a partir da manhã seguinte?
Ela respondeu com firmeza:
- Você tem que ficar comigo, maridinha. Ele já era mesmo.

Mas eu sabia que não podia ser assim. Aquela situação me incomodava. Não gostava da idéia de magoá-lo, e sabia da importância que eu tinha pra ele, e não neguei a ela a importância que ele tinha pra mim, apesar de tudo.
Seu trabalho acabou sendo uma solução momentânea para meus problemas, pois enquanto ele estava no escritório, pude passar um tempo com ela, que me contou algumas aventuras de seu mochilão pela Europa, e a quem pude contar todo o desfecho do meu desamor.
Quando a noite veio e as obrigações profissionais se foram, voltou ao humor daquele homem tudo de ruim que pela manhã lhe rondava. A presença da minha amiga era um pesadelo que se tornara realidade, pois lhe impossibilitava de passar comigo as últimas horas da maneira que ele tinha planejado: Final de tarde no Bastião dos Pescadores, meu lugar preferido de Buda, e um jantar romântico num restaurante de comida húngara. Tudo por água abaixo.
Ele tinha conhecimento, mesmo sem eu comentar, do seu mau comportamento para com minha amiga, e prometera mudar quando a reencontrasse. Mas algo o impossibilitava.
As risadas que eu dava com ela e a atenção que eu direcionava a ela eram pra ele sempre maior do que o que eu direcionava a ele.
Ficamos por algumas horas envoltos na má companhia um do outro, e o clima que dominava qualquer ambiente a que íamos era tenso, cinza, amargo.
A presença de um amigo dele e de ervas não medicinais pareceram aliviar a tensão. Mesmo que só os outros dois tenham feito uso do que teria sido bom para mim e para ele, todo o apartamento ficou repleto de risadas e alegria.
Mas nos fomos.
Ao entrar no carro toda a insatisfação que ele guardava me foi jogada através de palavras de tristeza. Eu pedia desculpas por saber da minha precipitação em voltar, e expliquei ter resolvido minha questão da única maneira que achei possível: Dedicar o tempo à minha amiga enquanto ele trabalhava, e dedicar a noite a ele.
No entanto, aquela noite estava infernal. Sua infelicidade com a minha partida e a angústia de não poder me ter durante todo o dia lhe deram um aspecto sombrio.
Ele discutia comigo enquanto dirigia à margem do Danúbio, em Peste, e eu ouvia, argumentando a meu favor e reconhecendo meus erros - coisa que aprendi com ele.
Mas num repente tudo mudou.
Bruscamente, ele parou o carro na avenida.Tudo que ouvi foi o barulho do ABS e das garrafas que eu havia comprado pra trazer pro Brasil caírem no chão do carro. Olhei pra ele assustada, e ao meu redor, tentando entender o que havia causado aquela parada repentina.
Ao mirar seus olhos novamente, vi a fúria que não mais silenciava. E junto àqueles olhos vermelhos de raiva que eu jamais conhecera, ouvi as palavras que eu nunca- NUNCA- pensei ouvir daquela boca:
- Desce do carro! Desce do carro agora, sua vadia! Você é uma vadia!
Obviamente ele falou em inglês, mas a frase em português traduz exatamente o que ele falou e eu ouvi.
Num segundo que demorou tempo demais, tudo que saiu de mim depois da respiração apreendida foi um choro desesperado. Senti meus olhos se arregalarem olhando aquela pessoa que eu desconhecia. Num turbilhão de pensamentos cogitei qual deveria ser minha reação. Minha vontade, obviamente, era descer do carro e nunca mais olhar naquela cara branquela novamente. Mas eu não podia fazer isso.
"Sensatez, Julia. Sensatez." Foi tudo o que pensei enquanto respirava lentamente pelo diafragma.
Eu não podia descer do carro àquela hora da noite, sem um centavo de forint na carteira, debaixo da Ponte Elizabete e sem guarda-chuva!
Eu não podia simplesmente não olhar mais na cara dele, pelo simples fato de todos meus documentos e minhas malas semi-prontas estarem na casa dele, e eu, sem chaves.
Tentei respirar pra me acalmar, mas eu chorava como um bebê saído do ventre quente da mãe, e não conseguia parar de olhar nos olhos dele, numa tentativa de enxergar os motivos daquilo tudo. Tudo isso durou menos de dez segundos.
Então ele disse:
- Se você não gosta de mim, então por que está aqui? Por que você veio? O que está fazendo ao meu lado?

Eu não entendia a origem daquelas palavras magoadas, e tudo o que pude fazer, perdendo minha postura, foi gritar desesperadamente as palavras que eu tentava falar devagar para que ele entendesse direitinho:
- EU NUNCA FALEI QUE NÃO GOSTO DE VOCÊ!!!! POR QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO ISSO???? EU NÃO FALEI NADA DISSO!!!!! VOCÊ SABE QUE EU GOSTO DE FICAR COM VOCÊ!

Ele calou.
Aquelas palavras desarmaram todo o ódio que ele sentia de mim. Ele se deu conta de que tinha entedido mal a frase que eu tinha dito antes e que causou aquele surto. Naquele momento ele lamentou muito por seu inglês não ser melhor.
Eu nunca dissera que não gostava dele. Eu não mentiria para atingí-lo. Eu nunca quis magoá-lo. Nunca suportei a idéia de ferí-lo.
Depois de eu ter, aos prantos, esclarecido o que eu havia dito antes, ele voltou a dirigir, devagar, e pôs-se a pedir desculpa e se explicar, pedindo meu perdão.
Ele disse que pensou ter ouvido a frase que mais machucou seu coração. Não ter meu bem querer era uma idéia cruel demais para ele.
Eu não queria ouvir desculpas. Eu não queria ouvir a voz dele, e recusava seu toque na minha mão a toda tentativa que ele investia para me amparar.
Quando ele encostou o carro perto de Boráros Tér, quis descer do carro. Eu sabia onde estava e como chegar em casa, e não queria ficar perto dele. Andaria no trem suburbano sem pagar, eu só queria ficar longe dele.
Soltei o cinto de segurança e abri a porta do carro. Ele me segurou pela mão, me implorando pra ficar.
A voz de arrependimento que ele carregava não me abalava. Com gestos, mandei ele não encostar em mim. Ele pediu pra eu não ir de trem, para ir com ele de carro, pois queria se explicar e pedir meu perdão.
Não sei se tomaria novamente a decisão que tomei, mas fui com ele.
Então começou aquela ladainha de explicação. Eu já havia compreendido o mal-entendido, e já estava farta de escutar suas desculpas. Ele disse que antes de brecar o carro tinha visto se não vinha nenhum carro atrás, que jamais levantaria a mão para mim, e que não acreditava de verdade que eu era uma vadia.
Aquela palavra, que eu jamais pensei sair da boca dele direcionada a mim, carregou consigo toda a mágoa que ele vinha guardando durante o tempo que passamos juntos.
Aquelas cinco letras me insultaram de tudo que ele fazia eu me sentir, mesmo sem falar.
Senti-me fraca, traidora, inconstante, superficial, louca, mimada, puta.
Tudo isso estava no conjunto da cólera em seus olhos e daquela palavra, e não havia pedido de desculpa que pudesse apagar o que eu ouvi.
Ele sempre pensou que o pedido de desculpas funcionava como uma borracha na memória. Eu já lhe havia dito infinitas vezes no passado que seus pedidos de desculpas já tinham perdido o valor, de tanto que ele as usava. Naquele dia eles não tiveram valor nenhum.
Durante todo o caminho de volta pra casa ele falou arrependido, explicou-se infinitamente, e além de desculpas, pedia para que eu não o odiasse aquela noite. Era nossa última noite, e ele queria ficar de bem comigo.
Eu não soltei uma palavra se quer. Tudo o que saía de mim eram soluços e lágrimas. Meus olhos olhavam o vazio.
Eu estava verdadeiramente chocada com aquele pequeno drama. De todas as pessoas que eu já conheci na vida, ele era a última em quem eu pensaria que fosse capaz de ter uma reação destas.

A máscara caiu. Foi a primeira coisa em que pensei naquele tumulto.
Quem é esse homem?

Ao estacionar o carro em frente ao bloco de prédios cinzentos e pixados da era socialista, típico dos subúrbios de Budapeste e condizentes com toda aquela cena, desci do carro e entrei no prédio. Ele demorou a vir e eu, mesmo enfurecida e amedrontada, esperei-o chegar, segurando a porta de entrada.
Ele agradeceu, comovido com minha boa educação mesmo em um momento como aquele.
Entrei no apartamento e a última coisa que queria ver era a infeliz mãe que ele tinha. Já tinha passado das 11 da noite, e ela costumava dormir às 9. Para completar minha má maré, dei de cara com ela saindo do banheiro, disse "Szia" olhando pro chão, e entrei no nosso quarto.
Com pressa, pus-me a terminar de fazer minhas malas, e estava decidida a pegar um táxi para ir ao aeroporto naquela noite mesmo. Eu não queria ficar na companhia dele até a manhã seguinte. Meu vôo só saía depois do almoço.
Ele entrou no quarto e não tinha mais o que falar, mas, ainda assim, falava, e pedia perdão, e se explicava.
Eu já tinha entendido toda a situação, e, dentro de mim, já estava convencida de que não tinha caído máscara alguma. Ele vestira naquele terrível instante uma máscara cruel para se proteger do que ele pensou que fosse ataque meu em seus sentimentos.
Eu o conhecia suficientemente bem para saber tudo aquilo, e dentro de mim, sabia que eu o ia perdoar. Mas agora queria fazê-lo sofrer.
Como se educa uma criança, queria fazê-lo perceber que comigo não funciona fazer besteiras e simplesmente pedir desculpas depois de tudo. Eu o desculparia, mas ele teria que sentir um tanto de remorso, seu castigo.
Da minha boca não saía palavra alguma. Ele pediu para que eu falasse, e eu neguei com a cabeça. Pediu, então, que eu o respondesse com a cabeça as perguntas que ele fazia, e assim o fiz.
Abri minha boca para pedir que me devolvesse os livros de português para estrangeiro que eu lhe havia emprestado quando estava no Brasil.
Ele foi buscá-los no outro quarto, e voltou com os olhos baixos e rasos d´água.
Entregando-me sem que eu o fitasse os olhos, disse:
- Eu esperava que você os deixasse comigo, se continuássemos juntos. Mas agora não suporto a idéia de tê-los. Leve-os, eu não os conseguirei abrir.

E caiu num pranto desesperado e profundo. Eu o abracei para lhe confortar. Eu não suporto a idéia de ver homens chorando, e percebi que aquele era o momento de eu ceder e perdoá-lo.
Abracei-o forte e choramos juntos o choro mais triste que eu jamais chorei. As lágrimas eram de abandono, de culpa, de remorso, de despedida e de desamor.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Reabri

Por um ponto comecei a escrever
Só de encostar a ponta da minha lapiseira macia no branco, veio um tufão, exclamação: você.
Cinza e branco. Você, assim... Simples assim. Complicado.
O metrô vai indo, indo. O homem lindo sorrindo ao lado de mim.
E eu com aquela vontade sem vontade- vontade sem vergonha, acomodada de chorar. Showrar.
Porque minhas lágrimas têm mais juízo e são mais sinceras que eu: não caem.
Sou ajuizada... "A" nao é prefixo de "ausência de"? Pois sou!
E você, o que é? Não sei, nunca soube e nunca chorarei.
Não sei porque não quero. Não quero porque nunca soube. Não saberei senão eu choro... nada!E eu desejo ainda -quietinha- que você me queira.
Teu olhar sei que tenho - sou incomodo calor. E meu carinho?
Restrinjo abraço, que nos teus braços eu já não passo- se passasse, não passaria- Ficaria-Ria-ria! De mim não tens carinho de motel- Apenas.
Todos os outros, em todos os lugares.
Olhares.
Evocando todos meus cantares.
Ah!
Maldita noite que me reviu você.

setembro de 2006

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Meu beijo


Eu tenho um segredo pra te contar.

Eu guardo aqui dentro um beijo pra te dar.

Mas esse beijo

Esse beijo que agora temo mostrar

Não é aquele que desabrocha nos meus lábios quentes que já antes te tocaram

É diferente dos beijos que te dei

O beijo que tenho aqui guardado por detrás de sorrisos e palavras que parecem ser tão insignificantes

É o beijo mais delicioso que eu poderia dedicar a alguém

Porque o saboreio

Saboreio a cada idéia de te ver de novo, mesmo sem poder te beijar. Mesmo sem acreditar que seus lábios têm urgência dos meus

Mas esse beijo que eu guardo pra ti

Tem sido infinitas vezes trocado através de palavras e olhares

Antes de chegar a você

Um beijo que não vem da boca, mas quer pousar nos teus lábios carnudos de aimeudeus.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Reflexão

Ontem conversava com um amigo sobre o final do meu relacionamento. Ele disse me admirar por minha atitude de atravessar o Atlântico para colocar um ponto final num namoro de quase dois anos. O motivo de tal admiração logo foi esclarecido. Ele disse estar numa situação parecida com a minha.
Namora há quatro anos uma garota que estuda com ele. Se vêem todos os dias, e há pouco mais de um ano ele está certo de que não a ama mais. Há uns dois anos suspeita que o sentimento que os fez ficar juntos no início do relacionamento já não está presente.

- Tanto tempo assim? E por que você ainda não rompeu o namoro?
- Eu tentei. Mas ela desmaiou depois que conversamos a respeito.
- E quanto tempo faz isso?
- Um ano, mais ou menos.

Depois disso, nunca mais trouxe o assunto à tona.
Perguntou-me se eu estou bem com o fim do namoro. Argumentei que estou me acostumando com o fato de estar solteira.
- É... Não tem quem ligue pra desejar boa noite, né?
- Bom... Isso eu nunca tive.

Disse que estou bem. Negocio com minha consciência para me livrar do sentimento de culpa por ter ferido alguém a quem sempre quis muito bem.
- Cheguei à conclusão de que eu sentir culpa não vai me levar de volta aos braços dele, então resolvi parar de me colocar no papel de vilã. Aconteceu, acabou, ponto.

- Mas eu fico me sentindo culpado por conta dela. Ela vai sofrer muito. Eu sinto que a fiz perder 4 anos de sua vida.
- E foram 4 anos da sua vida também.

Essa preocupação dele foi algo que jamais tinha passado pela minha cabeça.
Será que meu namoro foi perda de tempo?
Será que todos os namoros que terminam, longos e curtos, foram uma grande perda de tempo?

A resposta para o meu caso me veio muito rápido: Não.
Apesar de as coisas definitivamente não terem saído da maneira que nós esperávamos (ele e eu), estou certa de que todo o tempo a partir do momento em que N. entrou na minha vida foi de muita valia.
O fato de me sentir amada por alguém e de me saber verdadeiramente importante foi algo que mudou minha maneira de ver tudo.
Descobri muita coisa de mim que eu não conhecia. Quando me soube amada, quis saber os motivos que levaram aqueles olhos verdes a me assistirem com tanta pureza e tanto calor. Descobri partes de mim que não conhecia e lapidei partes brutas que cá estavam e que nunca antes precisei mostrar a ninguém.
Passei a entender letras de canções de amor, e por todo o tempo me senti a mulher mais amada do mundo.
Também aprendi a amar. Amar sem medo de amar. Amar sem pensar em amar, assim, como se respira. Dormir e acordar com o coração quente, ter a quem direcionar minhas palavras carinhosas e meus olhares de ternura.
Como é bom poder tirar todas as máscaras e ficar verdadeiramente nua em frente a alguém!
A partir de então, passei a aceitar e assumir meus defeitos. Os dele conheci e aprendi a entender e com eles convivia sem grandes problemas. Ninguém é perfeito. Não se muda ninguém.
Aprendi a respirar fundo ao prever discussões e brigas, e também a ouvir antes de retrucar furiosa.
Ele conseguiu me convencer de que eu não estava sempre certa - só 90% das vezes (foi o que ele conseguiu atingir).
Também vi que os homens pensam SIM de maneira completamente diferente das mulheres. São meio (ou completamente!) sem noção, desligados, e não raro gostam de testar a paciência.
Chego à conclusão de que o tempo não foi perdido.
Acho triste passar pela cabeça a pergunta que meu amigo se fez.
Um namoro só pode ser tempo perdido se dele não se extrai nada, se não se aprende e não se ensina qualquer coisa que seja.
E se não há troca, momentos de epifania e aprendizagem... É pena.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Churrasco de família

Minha família é o abraço mais protetor que eu já dei.
Os olhares surpresos com minha volta antecipada, e as perguntas curiosas pra saber o motivo antes acalantam do que incomodam.
Conto, conto tudo.
Assumo que a distância atrapalhou, que o amor acabou, que a sogra irritou.
Conto do tédio, das saudades, da saúde.
Conto quase tudo.

Vovó desconfia:
-Você arranjou alguém por aqui?
- Não, vozinha, não arranjei.

Não menti. Alívio pela pergunta não ter sido outra.

E sorrisos dos primos ao me verem com a cabeça erguida, sorrindo, exuberante. Tinha saudades de sorrir desse jeito. Meu sorriso de verão, brasileiro...

- Voltou a ser solteira! Que beleza! Agora é só folia. Carnaval taí...
- Carnaval é feriado. Quero descansar. Quero curtir as amigas, a praia, o mar.

Vovó admite:
- Eu sentia que você não estava bem, filhinha. Quando você foi eu fiquei com uma dor no coração! Saudades a gente sempre sente. Mas quando você foi pra Alemanha foi diferente. Você foi com outro astral. Dessa vez você estava tão tristonha.
- É que eu sabia que tinha acabado, vó.
- Pois quer saber, foi melhor assim. Trate de arranjar um por aqui pra ficar perto da gente. Dói tanto o coração quando você viaja. Já pensou, você ir embora?
(Vó apegada...)
- E se eu arranjar um chinês?
- Deus nos livre!

Mamãe cochicha com a tia.
"ela tá bem sim... Não aguentou a sogra"

Não foi a sogra, mamãe!! A sogra até me serviu pra eu ficar 3 horas todos os dias na academia, e no fim, como gatilho pra eu pensar em voltar.

- Você tá triste?
- Eu tô bem. Foi meu primeiro rompimento, não sei se eu devia estar me sentindo pior. Não sei como essas coisas funcionam.
- Mas você chora muito?
- Não mais.

"Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta, e o coração tranqüilo."

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009


Numa tarde como outra qualquer em que se pode sorrir, numa praia propícia, a brisa veio.

Não anunciara sua chegada, e veio obviamente em momento impróprio.

mas quem não gostaria de aparecer naquele fim de tarde ensolarada e fresca, freqüentada por cerveja e bons bebedores, que ao copo tornam?

Lá se encontraram.

A brisa, á espera, quietinha, pairando sobre o mar. E ela mas mulher que eu, menina-moça.

De menina há algum vestígio de inocência e certa pureza dominada pelo pudor, que brilham no sorriso solto. De moça, o caminhar, vivência em campos distantes e com pessoas improváveis, além do gosto pelas letras, fonte imensa de prazer.

Também é de moça o andar: brasileiro, despreocupado.

Menina ou moça, queria ser livre.

Da boca, além de beijos eventuais e elogios inesperados, saem palavras. Os lábios odeiam marasmo. Muitas palavras. Palavras, sempre que conscientes, propositais, traços da moça.

O mar lá estava. Claro, o mar!

Sol e cerveja na cabeça, boa companhia e o mar em sua imensidão, aguardando a manifestação da brisa e a chegada das ondas.

Só queria ser ela. Sem amarra, sem limite, sem pudor.

Sem pudor, sim, senhor!

Mae era fim de tarde, e ela era limitada.

Não pelo tempo previsto, que tão vulnerável foi à sua ação. Pelo lugar?

Talvez...talvez...

O inferno são os outros.

Os belos olhos serenos a faziam companhia. Não confundo! Se a metonímia assusta, entenda como elogio, e se encabular, direcione-o a quem fez teus olhos. Não confunda!

Pois me exponho. Caso haja alguma dúvida, não hesito em assumir que me faz bem dar carinho. Não são as palavras carinhos? Se as não recebem como afago, as minhas são vãs.

Elogios, beijos, cafunés, palavras... São carícias minhas.

Risinhos, afagos, amigos, gostoso...

A tarde vai caindo e procuraram a brisa. E a danada veio fácil, fácil.

E veio uma onda. Chuá na cabeça, saio de mim.

Mais ou menos. Fico num mim com desejo de não sê-lo. Um mim mais ela.

Daí veio ondinha na beira do mar. Cabeça alheia, vento no rosto, sorriso fácil.

E veio onda grande, arrepio na veia. Fecho os olhos, sinto o vento e suspiro...

E surge onda maior, atrás de outra onda. E vêm crescendo, crescendo, juntando, apertando.

A brisa esquenta. Esquenta e arde. Não quero alarde, mas a onda me leva. É redemoinho quente na barriga.


Onda após onda após outra após...

Rio nas nuvens do entardecer

Gosto da cor da brisa do mar

Arrasta meu corpo pra si

Sou leve, me leve! Eu vou...

Mexendo meu sul, apago o norte

Ondas se formam em mim...


Foi um grito de liberdade. Saí de mim, saí de tudo!

Sem amarra, sem pudor, sem noção - eu sei.

Mas shhhh... Peraí... A brisa não passou


Traz mais onda! Não quero parar

Eu quero só isso, continuar assim

Sentindo o grito da liberdade explodir em mim

Antes que a brisa passe, deixa eu sentir

Outra onda.


Elas se foram e ficou meu corpo saciado, estirado na areia.

Foi bom pra mim. A melhor.

ela, inesperada, assustadora, selvagem, até, foi-se com a brisa.

Mas a onda imensa que com ela veio deixou em mim o que eu procurava sem saber.

Tenho agora a marca da liberdade plena, além da vergonha por conta do despudor explícito e indomável- perdão.

Ela se foi e com ela parte da libido. parte ainda fica em mim como resquício da onda e da brisa que me fizeram mulher.


Maio de 2008

Worried eyes- Eagle eyed cherry

I've tried so hard to remember
what it is that I forgot
But I can, but I can believe.....will you now
I've tried, I've triedI've tried
Cried and kissed goodbye
To something that we both know
Boy you blow my mind
I don't know how
I'm going to
Show you what I feel for you
All I know All I know is I...
Want to be with you
Have you ever tried to be
Have you ever tried to see
Something but you don't really know what it is
Lord but we got to try
CHORUS:
I look at you
I hear your voice
I try to remember.....
I try to remember
So don't you look at me with worried eyes
'Cause you know we got to try girl

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Sem pressa

Preciso de horas inúmeras pra realizar todas as imagens que se impuseram na minha mente durante essa semana.

Minhas mãos anseiam pelo corpo teu, ao que possam ser submissas e servir com toques suaves uma massagem muito, muito pensada. Algumas vezes já testadas -a qualquer fechar de olhos-, mas ainda não materialmente realizada.

A massagem é o começo. Começo longo e sem pressa, que prelude a intensidade que está por vir.

Meia luz, odores mornos, som de embalo, toque devoto e um suave gosto estimulante.

Depois do corpo envolto por um calor delicadamente sugerido, o beijo. Aquele mesmo beijo diferente do de antes. Concluo que os sonhos têm poder de aperfeiçoamento, pois de tanto desejar teu corpo nesse intervalo, ele ficou assim, tão você: Homem.

O beijo! Que beijo! A língua é a mesma. Os lábios continuam deliciosamente vermelhos, como sempre foram: Molhados, irresistíveis. Foram sempre. Mas o beijo não era antes assim. Fora beijinho. Beijão-beijinho. Nele só troca de saliva e movimento desnorteado de línguas. Por certo deu-se o que se deu, mesmo com eles. Se não os houvesse, também se daria. Mas com estes...(!) Dar-se-há infinitamente mais?

Teu beijo tem uma violência delicada. Um massagear dos lábios que convidam o corpo todo a participar de um encontro de toques e gostos. O prazer não se esgota com o cessar dos movimentos das línguas, mas aumenta, e molha, e pede, e suplica que não pare. E quer mais. Queromais! O tal gostinho já se dá.
Escrevo pra não ligar. Pra não ir atrás, pra não me precipitar. Se não fosses tão capricorniano, já estariam estas imagens no abrigo do meu quarto. Continuo a escrever, você não vem.
Continuo escrevendo as imagens que foram se formando fortemente depois do "até mais". Já não durmo sem orvalho no sul. As mãos no meu prazer, a cabeça no teu. Tens a força de causar o desejo indomável que não me permite negar que continuo pensando e desejando, e fantasiando. Relato por ser de gêmeos, e contra essa sufocante verdade, crio paciência.
Paramos no beijo contínuo e continuo.
Meu corpo sobre o teu. Um contato de peles bem-vindas, meus joelhos rondando seu quadril. Minhas pernas acolhem as tuas e meu rosto busca tua nuca.
Um cheiro bem teu: aspiro.
Aspiro como você aspirou o meu, como quisesse inspirar a essência de mim. A tua essência? Mistério eterno, enigma indissolúvel, atração sem fim.
Seu cheiro é tomado pela minha boca, que lambe modesta o pescoço e mordisca roçando a pele adocicada nos teus pêlos viris. Gosto daqui: da proximidade com a tua boca, do pulsar, do teu peito.
Mas algo me chama palpitante ao sul. Minhas mão se prontificam: Uma o afaga, a outra envolve a nuca e guia teu rosto inédito ao novo encontro dos lábios teus com os meus.
Dispo-te da única peça que te resta, preta. Não faço alarde. Apenas satisfaço-me com a certeza da presença real e dura de você.
Escondo minha veneração e ponho-me mulher. Dominadora submissa, pois enorme parte do prazer que é meu se dá com a comprovação do teu.
Que poder tem minha boca linda! Já aprontada pela tua, põe-se em busca de novas formas de prazer enquanto pretende transmitir todo o ardor que está sentindo. Quero frio, calor, suor, línguas e lábios incansáveis. Dou tudo. Sinto escorrer-me o prazer ao escrever- é manifestação do gosto real.
A hora não me importa. Quero ver no teu rosto o que te proporciono. Sirvo-te porque quero o teu e o meu prazer. Faço-me inteira e intensamente tua.
Dedico-me aos beijos que você me pede ofegante. Te beijo sorrindo de satisfação; Minhas mãos por você, descobrindo cada foco de prazer do teu corpo, que é de um moreno delicioso. Deixo-me envolver pelos teus braços intimidantes e você me guia. Faz o que quer, eu também quero. Quero sentir você em mim e te fazer sentir que sou tua.
Por instantes saboreio o gosto raro de sentir que você é meu. Domino seu corpo, sinto seus cheiros, recebo carícias e palavras ousadas.
Já sabes do que gosto: Do puxar agressivo dos meus cachos e concomitantes beijos suaves na testa; das palavras vulgares que excitam a você e a mim.
Ponho braços e pernas onde teu corpo me quer.
Fazemo-nos um só, mas não como os outros, pela sonhada união da alma.
Fazemo-nos um pela profunda coincidência da satisfação dos nossos dois prazeres.
Quero e mereço um dia sem pressa.

São Paulo, 06/08/2008

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando
Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar
Porque eu tô voltando
Dá uma geral, faz um bom defumador
Enche a casa de flor
Que eu tô voltando
Pega uma praia, aproveita, tá calor
Vai pegando uma cor
Que eu tô voltando
Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar porque eu tô voltando
Põe pra tocar na vitrola aquele som
Estréia uma camisola
Eu tô voltando
Dá folga pra empregada
Manda a criançada pra casa da avó
Que eu to voltando
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero lá, lá, lá, ia, porque eu to voltando!

César Pinheiro e Mauricio Tapajós

sábado, 24 de janeiro de 2009

tua mão

no meu seio

sim não

não sim

não é assim

que se mede

um coração

Alice Ruiz

O amor nao morre

O amor nao some

O amor nao acaba.

O amor se faz como a flor

E se desfaz como o sorriso

Assim, sem expicacao

Sem razao

Sem motivo

Um dia fui dormir com o pensamento em voce

No outro, meus sonhos eram com voce

Eu sonhava seus sonhos

Eu dormia seu sono

Eu vivia em voce

Mas passou o verao, acabou o outono, e o inverno chegou

E o inverno se foi, e veio a primavera

Foi entao que despertei e vi meu amor se desfazer

E me dei conta de que o dia amanheceu apesar de voce

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Não por acaso me lembrei dessa música.
Sempre que há roda de música lá em casa, meu pai toca essa música ao violão.

Faustina corre aqui depressa
olha quem está no portão
É minha sogra com as malas
ela vem decidida a morar no porão
Vai ser o diabo, vamos ter sururú com o vizinho
não estou pra isso, eu vou dar o fora
decididamente vou morar sozinho
É minha sogra, mas, tenha paciência
não há quem possa com essa jararaca
meu sogro foi de maca pra assistência
com o corpo todo retalhado à faca
Mas comigo é diferente; não tenho medo desta cara feia
pego a pistola: disperdiço o pente...
ela descansa e eu vou pra cadeia.

A utilidade do til




Desconsiderando as normas da gramática, reflitamos acerca da utilidade do til.


Sem dúvida, temos no nosso vasto vocabulário da língua de Camoes inúmeras palavras que sao coroadas com essa adorável minhoquinha.


Mas, de fato, precisamos dela?


Se eu escrevo "bobao", assim mesmo, sem til, dá pra compreender o significado?


Talvez nao dê, e, realmente, soa estranho. Mas simplifico: Bobinho.


Mas você há de convir que certas palavras nem precisam ser modificadas:


Paixao, tesao, babao.


Mas se fazes questÃo, lanço mÃo do copy-paste:


Ontem fiz musculaçÃo e um gostosÃo branquelo pediu permissÃo para usar o aparelho de fazer flexÃo horizontal. NÃo entendi na hora, pois o camarÃo nÃo fala outra lingua senÃo a dele, que nÃo é a nossa. Fiz cara de interrogaçÃo, levantei a mÃo e pedi que esperasse. Ele, entÃo, foi fazer flexÃo de braços no chÃo. Depois que terminei, chamei sua atençÃo e sorri, e ele entrou em açÃo.




quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O sexo selvagem pode levar à interrupção constrangedora de uma transa

Contava eu nove anos.

Morava num sobrado, numa viela na zona sul de São Paulo.

A casa tinha três quartos no andar superior. O da minha irmã mais velha dava pra ruazinha estreita, com vista pras casas coloridas geminadas do outro lado da rua. Em direção ao quintal dos fundos, passando as escadas de madeira, ficava o maior quarto, que eu dividia com minha irmã caçula. No final do corredor encarpetado que não era muito longo, dormiam meus pais.

Não me lembro bem a noite nem a estação do ano em que isso se passou, mas certamente era uma noite fria.

Quando criança, toda noite antes de dormir, me enfiava debaixo dos lençóis e erguia os braços, fazendo cara de dó, e com um tom mais infantil que minha verdadeira idade, pedia manhosa:

"Mamãe, vem me cobrir"

E minha impecável e paciente mãe me cobria, me envolvia em um abraço quente, e nos contava uma estória para dormimos com imagens de reinos e florestas e animais e amores.

Vez ou outra, se no meio da noite meu sono agitado me descobria, sem culpa nenhuma, gritava:

"Mamãe, estou com frio!".

Embora vez ou outra demorasse, ela vinha amavelmente me cobrir, e eu segurava sua mão, porque queria não só o acalanto no corpo, como na minha alma carente infantil. Ela, então, deitava-se a meu lado, e pedia pra eu cantar uma canção, e minha voz embalava seu sono interrompido.

Mas numa noite, meus pés gelados tiveram que ser cobertos por minhas mãos, e minha alma carente abriu espaço a dúvida e curiosidade.

Ao sentir meus pés gelados, quis gritar "mamãe", mas os ruidos que ouvi me fizeram calar.

Atentei meus ouvidos, e todo som que eu ouvia era de dor. Um som inconstante, de volume alternante. Abri meus olhos no escuro como querendo enxergar o que vinha do quarto do fim do corredor.

Ouvia a voz de minha mãe gritar de dor, e me levantei da cama.
"O que meu pai está fazendo com ela?", pensei.


Sentada na cama, por minutos pensei o que poderia estar acontecendo. Nada me parecia convincente o suficiente.
"Será que ele está batendo nela?"


Mas nunca antes ouvira os dois brigarem, e menos ainda testemunhara qualquer insinuação de agressão fisica por parte do meu pai, homem bonissimo.

Tomei coragem e enfrentei o escuro corredor. Parei em frente à porta creme, e meus ouvidos procuravam provas sonoplásticas de agressão fisica, e, uma vez obtidas, eu bravamente abriria a porta do quarto e salvaria minha mãe vitimizada.
Não houve prova alguma, e os gemidos não me soavam como aqueles que expomos quando temos dor de barriga. Me restou recuar, contrariada.
Voltei à minha cama já fria e enquanto procurava o teto no escuro, veio-me a resposta:

...

"Será? Não... Meu pai não faria isso com ela! Por que ele faria isso com ela? O que ela fez pra ele?"

E foi essa a primeira idéia de sexo que eu tive na minha cabeça de criança.