quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Sem pressa

Preciso de horas inúmeras pra realizar todas as imagens que se impuseram na minha mente durante essa semana.

Minhas mãos anseiam pelo corpo teu, ao que possam ser submissas e servir com toques suaves uma massagem muito, muito pensada. Algumas vezes já testadas -a qualquer fechar de olhos-, mas ainda não materialmente realizada.

A massagem é o começo. Começo longo e sem pressa, que prelude a intensidade que está por vir.

Meia luz, odores mornos, som de embalo, toque devoto e um suave gosto estimulante.

Depois do corpo envolto por um calor delicadamente sugerido, o beijo. Aquele mesmo beijo diferente do de antes. Concluo que os sonhos têm poder de aperfeiçoamento, pois de tanto desejar teu corpo nesse intervalo, ele ficou assim, tão você: Homem.

O beijo! Que beijo! A língua é a mesma. Os lábios continuam deliciosamente vermelhos, como sempre foram: Molhados, irresistíveis. Foram sempre. Mas o beijo não era antes assim. Fora beijinho. Beijão-beijinho. Nele só troca de saliva e movimento desnorteado de línguas. Por certo deu-se o que se deu, mesmo com eles. Se não os houvesse, também se daria. Mas com estes...(!) Dar-se-há infinitamente mais?

Teu beijo tem uma violência delicada. Um massagear dos lábios que convidam o corpo todo a participar de um encontro de toques e gostos. O prazer não se esgota com o cessar dos movimentos das línguas, mas aumenta, e molha, e pede, e suplica que não pare. E quer mais. Queromais! O tal gostinho já se dá.
Escrevo pra não ligar. Pra não ir atrás, pra não me precipitar. Se não fosses tão capricorniano, já estariam estas imagens no abrigo do meu quarto. Continuo a escrever, você não vem.
Continuo escrevendo as imagens que foram se formando fortemente depois do "até mais". Já não durmo sem orvalho no sul. As mãos no meu prazer, a cabeça no teu. Tens a força de causar o desejo indomável que não me permite negar que continuo pensando e desejando, e fantasiando. Relato por ser de gêmeos, e contra essa sufocante verdade, crio paciência.
Paramos no beijo contínuo e continuo.
Meu corpo sobre o teu. Um contato de peles bem-vindas, meus joelhos rondando seu quadril. Minhas pernas acolhem as tuas e meu rosto busca tua nuca.
Um cheiro bem teu: aspiro.
Aspiro como você aspirou o meu, como quisesse inspirar a essência de mim. A tua essência? Mistério eterno, enigma indissolúvel, atração sem fim.
Seu cheiro é tomado pela minha boca, que lambe modesta o pescoço e mordisca roçando a pele adocicada nos teus pêlos viris. Gosto daqui: da proximidade com a tua boca, do pulsar, do teu peito.
Mas algo me chama palpitante ao sul. Minhas mão se prontificam: Uma o afaga, a outra envolve a nuca e guia teu rosto inédito ao novo encontro dos lábios teus com os meus.
Dispo-te da única peça que te resta, preta. Não faço alarde. Apenas satisfaço-me com a certeza da presença real e dura de você.
Escondo minha veneração e ponho-me mulher. Dominadora submissa, pois enorme parte do prazer que é meu se dá com a comprovação do teu.
Que poder tem minha boca linda! Já aprontada pela tua, põe-se em busca de novas formas de prazer enquanto pretende transmitir todo o ardor que está sentindo. Quero frio, calor, suor, línguas e lábios incansáveis. Dou tudo. Sinto escorrer-me o prazer ao escrever- é manifestação do gosto real.
A hora não me importa. Quero ver no teu rosto o que te proporciono. Sirvo-te porque quero o teu e o meu prazer. Faço-me inteira e intensamente tua.
Dedico-me aos beijos que você me pede ofegante. Te beijo sorrindo de satisfação; Minhas mãos por você, descobrindo cada foco de prazer do teu corpo, que é de um moreno delicioso. Deixo-me envolver pelos teus braços intimidantes e você me guia. Faz o que quer, eu também quero. Quero sentir você em mim e te fazer sentir que sou tua.
Por instantes saboreio o gosto raro de sentir que você é meu. Domino seu corpo, sinto seus cheiros, recebo carícias e palavras ousadas.
Já sabes do que gosto: Do puxar agressivo dos meus cachos e concomitantes beijos suaves na testa; das palavras vulgares que excitam a você e a mim.
Ponho braços e pernas onde teu corpo me quer.
Fazemo-nos um só, mas não como os outros, pela sonhada união da alma.
Fazemo-nos um pela profunda coincidência da satisfação dos nossos dois prazeres.
Quero e mereço um dia sem pressa.

São Paulo, 06/08/2008

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