Algumas coisas que acontecem inesperadamente me deixam transtornada.
Ontem me aconteceu uma coisa que, além de transtornada, deixou-me irritada e me fez pensar sobre a cara deslavada que alguns homens têm.
Por volta das nove horas da noite de ontem, direcionava-me ao metrô Ana Rosa. Enquanto andava despreocupadamente pela rua Rodrigues Alves, vi vir em minha direção um rapaz por volta de seus 23 anos, loiro, olhos claro e estatura média. À medida que ele chegava perto de mim, não conseguia tirar meus olhos daquele rosto. Foi então que enquanto ele passava por mim, ouvi sair de sua boca as seguintes e lamentáveis palavras, seguidas de um olhar que ele pretendia ser do tipo 43:
- Oh, delícia!
E soltou pela boca um ruído que todas as mulheres já ouviram de um homem. Parecido ao ruído que fazemos quando queimamos a mão, antes de falar "ai".
Antes que eu pudesse absorver aquela informação grosseira, parei em frente ao sujeito, e espontaneamente disse:
- Eu te conheço!
O sujeito falava ao celular e ficou surpreso com minha reação. Desligou telefone e virou-se para falar comigo.
Eu, que estaria atônita se fosse provida dessa capacidade, comecei a rir e falei:
- Estudei contigo no Anglo!
Ele, duvidoso a princípio, só replicou:
-No anglo brasileiro?
-Sim.
-Eu estudei no Anglo Brasileiro.
- Eu era da sua sala! Você é o B.C!
Aquele nome trouxe consigo as lembranças mais fortes que eu tinha dele.
Mau aluno, bagunceiro, de poucos amigos e pinta de bad boy. Na classe todas as meninas o odiavam, porque ele era "nojento".
O nariz escorria o dia inteiro e ele vivia com um lenço sujo dentro do bolso da calça azul. B.C. não fazia questão de ser agradável a ninguém, e as crianças, maldosas como são, tinham uma brincadeira cruel:
Se acontecesse de B.C. tocar em alguma menina, esta fazia imediatamente uma cara de nojo, passava a mão no local onde ele tinha encostado, como limpando, e "repassava a sujeira" para a pessoa sentada à sua frente, dizendo: "meleca de C." E assim, sua meleca rodava a sala inteira até chegar a alguém que se enchesse de brincar.
Aquele reencontro me deixou desconfortável, pois eu não queria fingir que no passago tínhamos sido bons amigos. Na realidade, eu estava puta da vida por ele ter falado o que falou antes de me reconhecer, e ele nem desculpas pediu, e nem com cara de constrangido ficou.
Tive vontade de falar que aquele tipo de abordagens não lhe traria nada além dos mesmos olhares de nojo que as meninas de sua infância lhe direcionavam quando ele se aproximava delas.
Conversamos por uns 5 minutos, ele disse o que estava fazendo da vida, eu disse o mesmo, e nos despedimos como se aquele reencontro tivesse sido agradável:
- Legal te ver!
Mentira!
sábado, 14 de fevereiro de 2009
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