segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Reflexão

Ontem conversava com um amigo sobre o final do meu relacionamento. Ele disse me admirar por minha atitude de atravessar o Atlântico para colocar um ponto final num namoro de quase dois anos. O motivo de tal admiração logo foi esclarecido. Ele disse estar numa situação parecida com a minha.
Namora há quatro anos uma garota que estuda com ele. Se vêem todos os dias, e há pouco mais de um ano ele está certo de que não a ama mais. Há uns dois anos suspeita que o sentimento que os fez ficar juntos no início do relacionamento já não está presente.

- Tanto tempo assim? E por que você ainda não rompeu o namoro?
- Eu tentei. Mas ela desmaiou depois que conversamos a respeito.
- E quanto tempo faz isso?
- Um ano, mais ou menos.

Depois disso, nunca mais trouxe o assunto à tona.
Perguntou-me se eu estou bem com o fim do namoro. Argumentei que estou me acostumando com o fato de estar solteira.
- É... Não tem quem ligue pra desejar boa noite, né?
- Bom... Isso eu nunca tive.

Disse que estou bem. Negocio com minha consciência para me livrar do sentimento de culpa por ter ferido alguém a quem sempre quis muito bem.
- Cheguei à conclusão de que eu sentir culpa não vai me levar de volta aos braços dele, então resolvi parar de me colocar no papel de vilã. Aconteceu, acabou, ponto.

- Mas eu fico me sentindo culpado por conta dela. Ela vai sofrer muito. Eu sinto que a fiz perder 4 anos de sua vida.
- E foram 4 anos da sua vida também.

Essa preocupação dele foi algo que jamais tinha passado pela minha cabeça.
Será que meu namoro foi perda de tempo?
Será que todos os namoros que terminam, longos e curtos, foram uma grande perda de tempo?

A resposta para o meu caso me veio muito rápido: Não.
Apesar de as coisas definitivamente não terem saído da maneira que nós esperávamos (ele e eu), estou certa de que todo o tempo a partir do momento em que N. entrou na minha vida foi de muita valia.
O fato de me sentir amada por alguém e de me saber verdadeiramente importante foi algo que mudou minha maneira de ver tudo.
Descobri muita coisa de mim que eu não conhecia. Quando me soube amada, quis saber os motivos que levaram aqueles olhos verdes a me assistirem com tanta pureza e tanto calor. Descobri partes de mim que não conhecia e lapidei partes brutas que cá estavam e que nunca antes precisei mostrar a ninguém.
Passei a entender letras de canções de amor, e por todo o tempo me senti a mulher mais amada do mundo.
Também aprendi a amar. Amar sem medo de amar. Amar sem pensar em amar, assim, como se respira. Dormir e acordar com o coração quente, ter a quem direcionar minhas palavras carinhosas e meus olhares de ternura.
Como é bom poder tirar todas as máscaras e ficar verdadeiramente nua em frente a alguém!
A partir de então, passei a aceitar e assumir meus defeitos. Os dele conheci e aprendi a entender e com eles convivia sem grandes problemas. Ninguém é perfeito. Não se muda ninguém.
Aprendi a respirar fundo ao prever discussões e brigas, e também a ouvir antes de retrucar furiosa.
Ele conseguiu me convencer de que eu não estava sempre certa - só 90% das vezes (foi o que ele conseguiu atingir).
Também vi que os homens pensam SIM de maneira completamente diferente das mulheres. São meio (ou completamente!) sem noção, desligados, e não raro gostam de testar a paciência.
Chego à conclusão de que o tempo não foi perdido.
Acho triste passar pela cabeça a pergunta que meu amigo se fez.
Um namoro só pode ser tempo perdido se dele não se extrai nada, se não se aprende e não se ensina qualquer coisa que seja.
E se não há troca, momentos de epifania e aprendizagem... É pena.

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