segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sonho


-Vem, Clarinha, vem tomar leite!
- Não, mãe. Quero tomar chuva!
E saiu pra rua descalçando as chinelas. Vestia um vestidinho verde pueril, e o sorriso que abriu ao sentir em sua pele moça as primeiras gotas daquela chuva de verão tinha todo o colorido do céu da alvorada.
Pisa a poça, chuta a bola, pula, corre, rodopia no ar.
Bate na casa do vizinho:
Vem, Pedrinho, vem dançar!
E o menino tímido e assustado ficou a olhar. Debaixo do guarda-chuva, encostado no portão, observava deslumbrado o pano verde grudar nas costas morenas de Clarinha.
- Você não está com frio?
- O coração tá quente, Pedrinho. Vem, toma minha mão.
- Mas eu não posso me molhar.
- Pode sim, querendo.
E Clarinha jogava com as mãos as gotas de chuva de volta pro céu.
- A chuva cai pra baixo. Não adianta empurrar pra cima.
- Não quero que pare de chover.
- Nunca?
- Só quando o sol quiser voltar.

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