A obrigação de sentir culpa me traz ao papel. Não há desculpas, haveria perdão se eu te contasse. Teu coração, sempre aberto, perdoaria tudo pra não me perder.
Nunca te faltei com lealdade. Acordo mútuo, nos entendemos, nunca te trai.
Disse que bocas não passam de bocas e os toques que só despertam prazer não são perigo. Por isso não temiamos.
Eu não temia me interessar por um novo alguém. Teu gosto me bastava, a distância alimentava nossos sonhos e viviamos em paz, eu e você.
Você não tinha medo, pois eu te transparecia por olhares e declarações a intacta segurança que eu tinha em meu amor. Vivíamos em paz, nós dois.
Meu amor era tal, que os beijos que desperdicei - com consentimento teu- não ficaram no coração nem na memória, e foram de tal insignificância, que não os eternizei no papel.
Mas o beijo que não dei...
Uma tarde qualquer quis que meus ouvidos ouvissem a música que me trouxe a idéia dele. Eu pensava tê-lo feito em mim apenas memória, mas foi mais...
Dentro de mim eu colocara uma caixinha, e entre as paredes revestidas de veludo negro, guardei-o adormecido.
Mas a música tomou conta de mim, a caixinha se abriu, e aos poucos ele foi transbordando dentro de mim. Então veio impulso, quereres, sorrisos, palavras, e tudo que antes vinha com a idéia dele.
E o procurei.
Quis esquecer, não querendo. Devia deletar, apagar, mas algo urgia dentro de mim, e então procurei, e insisti, e cansei, e revi.
Revi aqueles olhos negros de segredo. Deleitei-me no corpo e não deletei o corpo dele de mim.
Depois senti urgência, e pra tentar retê-lo, vesti-me na nudez que me protegia e fui atrás.
Lutei contra verdades, embriaguei-me de enganos, e num ato de desespero para esquecê-lo, agarrei-me no triz que sobrava de você em mim. Mas era mentira.
Tudo já havia mudado. Meus sonhos antigos voltaram a me chamar. Os teus sonhos coloridos se me tornaram desconfortáveis. Busquei pretextos e motivos pra ficar, mas só consegui chorar.
Chorei meu choro mais sincero, mas dentro de mim, eu não sofria.
Sofria por você. Por pisotear teus castelos de areia e apagar tua luz.
Mas que culpa tenho eu, meu Deus?! Meus olhos já nao brilhavam mais por ti! A idéia de você já não era só afago, e eu te feria com olhares frios e com a ausência de palavras doces.
Nao queria ser pra você o que eu não sou. Eu só quero teu bem. Por isso do tempo. Pra te poupar de injúrias e fúrias que não eram contra você.
Contra mim... Eu quis lutar contra algo que me nasceu sem que eu quisesse. Não plantei coisa alguma.
Me desculpe por não sentir culpa.
Me diz, que culpa tem a chuva de chover!? Que culpa tenho eu de não mais te querer?
Não culpe a ele, nem a mim. Nós sabemos que ele não é motivo, foi estopim.
Não pude mais me enganar. 15 horas no céu para te encontrar, e meu pensamento longe de ti. Todas minhas palavras eram pra buscá-lo em mim.
Cheguei, e percebi que nos teus olhos não procurava você.
E pra não trair a mim mesma, assumi os fatos. Abriguei a chuva, e pra me manter leal a ti, com todas as letras duras você ouviu sair desses lábios que não são mais teus:
Acabou.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
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