Os desejos vários que eu tinha aquietado dentro de mim foram se acumulando, se uniram, e hoje conspiram contra meu engano de não mais te querer.
Voce veio mansinho, e eu quis que ficasse. Sem que voce quisesse, coloquei-te em mim, e pra te obedecer, ao me encontrar no limiar entre paixão e indiferença fingida, quis te deletar. Mas o balanço do meu corpo me derrubou. Bem sabia eu onde estava caindo.
Percebi sua vastidão, mas não pude prever as tormentas que me poderiam atingir, embora já soubesse que existiam.
Eis o momento identico 'aquele da criança que pela primeira vez ve o mar. Deslumbramento, curiosidade, medo...
Não acredito que a criança tenha medo de sofrer.
Sofrer tememos nós, que já antes sofremos.
Nós, que já desabamos ao ouvir soar o corriqueiro "não" dos lábios mais castos já tocados.
Nós, que sentimos a dor de mil punhais penetrar na carne com os contornos de "não te quero mais", cujas cicatrizes ainda machucam.
Todos nós. voce e eu, que perdemos a disputa pelo brilho do olhar de alguém que significou mais que boca e pernas.
Eu, que me vi incapaz de amanhecer encantamento nos olhos angelicais que já foram meu ar.
Eu, mulher seca, crua, insossa, inencantadora, sei o que é sofrer.
Eu já conhecia, portanto, a inconveniencia que é ter o sofrimento a latejar a alma.
Ainda assim, quis me jogar. Fiz do teu sorriso meu mar, e sua imensidão branca me intimou a mergulhar. Mesmo que voce nao soubesse. Mesmo que voce nao quisesse.
Entao colocaste aviso 'a beira-mar.
...
Dia ensolarado na praia, calor desértico, e 'a frente, um irresitivel mar azul. Qualquer aviso me é invisivel.
(Mergulhei no seu mar, e este tem sido o mergulho mais deliciosamente longo a que já me arrisquei).
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário