Deolindo Venta-Grande (era uma alcunha de bordo) saiu ao Arsenal de Marinha e enfiou pela Rua de Bragança. Batiam três horas da tarde. Era a fina flor dos marujos e, demais, levava um grande ar de felicidade nos olhos. A corveta dele voltou de uma longa viagem de instrução, e Deolindo veio à terra tão depressa alcançou licença. Os companheiros disseram-lhe, rindo:
— Ah! Venta-Grande! Que noite de almirante vai você passar! ceia, viola e os braços de Genoveva. Colozinho de Genoveva...
Deolindo sorriu. Era assim mesmo, uma noite de almirante, como eles dizem, uma dessas grandes noites de almirante que o esperava em terra. Começara a paixão três meses antes de sair a corveta. Chamava-se Genoveva, caboclinha de vinte anos, esperta, olho negro e atrevido. Encontraram-se em casa de terceiro e ficaram morrendo um pelo outro, a tal ponto que estiveram prestes a dar uma cabeçada, ele deixaria o serviço e ela o acompanharia para a vila mais recôndita do interior.
A velha Inácia, que morava com ela, dissuadiu-os disso; Deolindo não teve remédio senão seguir em viagem de instrução. Eram oito ou dez meses de ausência. Como fiança recíproca, entenderam dever fazer um juramento de fidelidade.
— Juro por Deus que está no céu. E você?
— Eu também.
— Diz direito.
— Juro por Deus que está no céu; a luz me falte na hora da morte.
Estava celebrado o contrato. Não havia descrer da sinceridade de ambos; ela chorava doidamente, ele mordia o beiço para dissimular. Afinal separaram-se, Genoveva foi ver sair a corveta e voltou para casa com um tal aperto no coração que parecia que “lhe ia dar uma coisa”. Não lhe deu nada, felizmente; os dias foram passando, as semanas, os meses, dez meses, ao cabo dos quais a corveta tornou e Deolindo com ela.
Lá vai ele agora, pela Rua de Bragança, Prainha e Saúde, até ao princípio da Gamboa, onde mora Genoveva. A casa é uma rotulazinha escura, portal rachado do sol, passando o Cemitério dos Ingleses; lá deve estar Genoveva, debruçada à janela, esperando por ele. Deolindo prepara uma palavra que lhe diga. Já formulou esta: “Jurei e cumpri”, mas procura outra melhor. Ao mesmo tempo lembra as mulheres que viu por esse mundo de Cristo, italianas, marselhesas ou turcas, muitas delas bonitas, ou que lhe pareciam tais. Concorda que nem todas seriam para os beiços dele, mas algumas eram, e nem por isso fez caso de nenhuma. Só pensava em Genoveva. A mesma casinha dela, tão pequenina, e a mobília de pé quebrado, tudo velho e pouco, isso mesmo lhe lembrava diante dos palácios de outras terras. Foi à custa de muita economia que comprou em Trieste um par de brincos, que leva agora no bolso com algumas bugigangas. E ela que lhe guardaria? Pode ser que um lenço marcado com o nome dele e uma âncora na ponta, porque ela sabia marcar muito bem. Nisto chegou à Gamboa, passou o cemitério e deu com a casa fechada. Bateu, falou-lhe uma voz conhecida, a da velha Inácia, que veio abrir-lhe a porta com grandes exclamações de prazer. Deolindo, impaciente, perguntou por Genoveva.
— Não me fale nessa maluca, arremeteu a velha. Estou bem satisfeita com o conselho que lhe dei. Olhe lá se fugisse. Estava agora como o lindo amor.
— Mas que foi? que foi?
A velha disse-lhe que descansasse, que não era nada, uma dessas coisas que aparecem na vida; não valia a pena zangar-se. Genoveva andava com a cabeça virada...
— Mas virada por quê?
— Está com um mascate, José Diogo. Conheceu José Diogo, mascate de fazendas? Está com ele. Não imagina a paixão que eles têm um pelo outro. Ela então anda maluca. Foi o motivo da nossa briga. José Diogo não me saía da porta; eram conversas e mais conversas, até que eu um dia disse que não queria a minha casa difamada. Ah! meu pai do céu! foi um dia de juízo. Genoveva investiu para mim com uns olhos deste tamanho, dizendo que nunca difamou ninguém e não precisava de esmolas. Que esmolas, Genoveva? O que digo é que não quero esses cochichos à porta, desde as ave-marias... Dois dias depois estava mudada e brigada comigo.
— Onde mora ela?
— Na Praia Formosa, antes de chegar à pedreira, uma rótula pintada de novo.
Deolindo não quis ouvir mais nada. A velha Inácia, um tanto arrependida, ainda lhe deu avisos de prudência, mas ele não os escutou e foi andando. Deixo de notar o que pensou em todo o caminho; não pensou nada. As idéias marinhavam-lhe no cérebro, como em hora de temporal, no meio de uma confusão de ventos e apitos. Entre elas rutilou a faca de bordo, ensangüentada e vingadora. Tinha passado a Gamboa, o Saco do Alferes, entrara na Praia Formosa. Não sabia o número da casa, mas era perto da pedreira, pintada de novo, e com auxílio da vizinhança poderia achá-la. Não contou com o acaso que pegou de Genoveva e fê-la sentar à janela, cosendo, no momento em que Deolindo ia passando. Ele conheceu-a e parou; ela, vendo o vulto de um homem, levantou os olhos e deu com o marujo.
— Que é isso? exclamou espantada. Quando chegou? Entre, seu Deolindo.
E, levantando-se, abriu a rótula e fê-lo entrar. Qualquer outro homem ficaria alvoroçado de esperanças, tão francas eram as maneiras da rapariga; podia ser que a velha se enganasse ou mentisse; podia ser mesmo que a cantiga do mascate estivesse acabada. Tudo isso lhe passou pela cabeça, sem a forma precisa de raciocínio ou da reflexão, mas em tumulto e rápido. Genoveva deixou a porta aberta; fê-lo sentar-se, pediu-lhe notícias da viagem e achou-o mais gordo; nenhuma comoção nem intimidade. Deolindo perdeu a última esperança. Em falta de faca, bastavam-lhe as mãos para estrangular Genoveva, que era um pedacinho de gente, e durante os primeiros minutos não pensou em outra coisa.
— Sei tudo, disse ele.
— Quem lhe contou?
Deolindo levantou os ombros.
— Fosse quem fosse, tornou ela, disseram-lhe que eu gostava muito de um moço?
— Disseram.
— Disseram a verdade.
Deolindo chegou a ter um ímpeto; ela fê-lo parar só com a ação dos olhos. Em seguida disse que, se lhe abrira a porta, é porque contava que era homem de juízo. Contou-lhe então tudo, as saudades que curtira, as propostas do mascate, as suas recusas, até que um dia, sem saber como, amanhecera gostando dele.
— Pode crer que pensei muito e muito em você. Sinhá Inácia que lhe diga se não chorei muito... Mas o coração mudou... Mudou... Conto-lhe tudo isto, como se estivesse diante do padre, concluiu sorrindo.
Não sorria de escárnio. A expressão das palavras é que era uma mescla de candura e cinismo, de insolência e simplicidade, que desisto de definir melhor. Creio até que insolência e cinismo são mal aplicados. Genoveva não se defendia de um erro ou de um perjúrio; não se defendia de nada; faltava-lhe o padrão moral das ações. O que dizia, em resumo, é que era melhor não ter mudado, dava-se bem com a afeição do Deolindo, a prova é que quis fugir com ele; mas, uma vez que o mascate venceu o marujo, a razão era do mascate, e cumpria declará-lo. Que vos parece? O pobre marujo citava o juramento de despedida, como uma obrigação eterna, diante da qual consentira em não fugir e embarcar: “Juro por Deus que está no céu; a luz me falte na hora da morte.” Se embarcou, foi porque ela lhe jurou isso. Com essas palavras é que andou, viajou, esperou e tornou; foram elas que lhe deram a força de viver. Juro por Deus que está no céu; a luz me falte na hora da morte...
— Pois, sim, Deolindo, era verdade. Quando jurei, era verdade. Tanto era verdade que eu queria fugir com você para o sertão. Só Deus sabe se era verdade! Mas vieram outras coisas... Veio este moço e eu comecei a gostar dele...
— Mas a gente jura é para isso mesmo; é para não gostar de mais ninguém ...
— Deixa disso, Deolindo. Então você só se lembrou de mim? Deixa de partes...
— A que horas volta José Diogo?
— Não volta hoje.
— Não?
— Não volta; está lá para os lados de Guaratiba com a caixa; deve voltar sexta-feira ou sábado... E por que é que você quer saber? Que mal lhe fez ele?
Pode ser que qualquer outra mulher tivesse igual palavra; poucas lhe dariam uma expressão tão cândida, não de propósito, mas involuntariamente. Vede que estamos aqui muito próximos da natureza. Que mal lhe fez ele? Que mal lhe fez esta pedra que caiu de cima? Qualquer mestre de física lhe explicaria a queda das pedras. Deolindo declarou, com um gesto de desespero, que queria matá-lo. Genoveva olhou para ele com desprezo, sorriu de leve e deu um muxoxo; e, como ele lhe falasse de ingratidão e perjúrio, não pôde disfarçar o pasmo. Que perjúrio? Que ingratidão? Já lhe tinha dito e repetia que quando jurou era verdade. Nossa Senhora, que ali estava, em cima da cômoda, sabia se era verdade ou não. Era assim que lhe pagava o que padeceu? E ele que tanto enchia a boca de fidelidade, tinha-se lembrado dela por onde andou?
A resposta dele foi meter a mão no bolso e tirar o pacote que lhe trazia. Ela abriu-o, aventou as bugigangas, uma por uma, e por fim deu com os brincos. Não eram nem poderiam ser ricos; eram mesmo de mau gosto, mas faziam uma vista de todos os diabos. Genoveva pegou deles, contente, deslumbrada, mirou-os por um lado e outro, perto e longe dos olhos, e afinal enfiou-os nas orelhas; depois foi ao espelho de pataca, suspenso na parede, entre a janela e a rótula, para ver o efeito que lhe faziam. Recuou, aproximou-se, voltou a cabeça da direita para a esquerda e da esquerda para a direita.
— Sim, senhor, muito bonito, disse ela, fazendo uma grande mesura de agradecimento. Onde é que comprou?
Creio que ele não respondeu nada, nem teria tempo para isso, porque ela disparou mais duas ou três perguntas, uma atrás da outra, tão confusa estava de receber um mimo a troco de um esquecimento. Confusão de cinco ou quatro minutos; pode ser que dois. Não tardou que tirasse os brincos, e os contemplasse e pusesse na caixinha em cima da mesa redonda que estava no meio da sala. Ele pela sua parte começou a crer que, assim como a perdeu, estando ausente, assim o outro, ausente, podia também perdê-la; e, provavelmente, ela não lhe jurara nada.
— Brincando, brincando, é noite, disse Genoveva.
Com efeito, a noite ia caindo rapidamente. Já não podiam ver o Hospital dos Lázaros e mal distinguiam a ilha dos Melões; as mesmas lanchas e canoas, postas em seco, defronte da casa, confundiam-se com a terra e o lodo da praia. Genoveva acendeu uma vela. Depois foi sentar-se na soleira da porta e pediu-lhe que contasse alguma coisa das terras por onde andara. Deolindo recusou a princípio; disse que se ia embora, levantou-se e deu alguns passos na sala. Mas o demônio da esperança mordia e babujava o coração do pobre-diabo, e ele voltou a sentar-se, para dizer duas ou três anedotas de bordo. Genoveva escutava com atenção. Interrompidos por uma mulher da vizinhança, que ali veio, Genoveva fê-la sentar-se também para ouvir “as bonitas histórias que o sr. Deolindo estava contando”. Não houve outra apresentação. A grande dama que prolonga a vigília para concluir a leitura de um livro ou de um capítulo, não vive mais intimamente a vida dos personagens do que a antiga amante do marujo vivia as cenas que ele ia contando, tão livremente interessada e presa, como se entre ambos não houvesse mais que uma narração de episódios. Que importa à grande dama o autor do livro? Que importava a esta rapariga o contador dos episódios?
A esperança, entretanto, começava a desampará-lo e ele levantou-se definitivamente para sair. Genoveva não quis deixá-lo sair antes que a amiga visse os brincos, e foi mostrar-lhos com grandes encarecimentos. A outra ficou encantada, elogiou-os muito, perguntou se os comprara em França e pediu a Genoveva que os pusesse.
— Realmente, são muito bonitos.
Quero crer que o próprio marujo concordou com essa opinião. Gostou de os ver, achou que pareciam feitos para ela e, durante alguns segundos, saboreou o prazer exclusivo e superfino de haver dado um bom presente; mas foram só alguns segundos.
Como ele se despedisse, Genoveva acompanhou-o até à porta para lhe agradecer ainda uma vez o mimo, e provavelmente dizer-lhe algumas coisas meigas e inúteis. A amiga, que deixara ficar na sala, apenas lhe ouviu esta palavra: “Deixa disso, Deolindo”; e esta outra do marinheiro: “Você verá”. Não pôde ouvir o resto, que não passou de um sussurro.
Deolindo seguiu, praia fora, cabisbaixo e lento, não já o rapaz impetuoso da tarde, mas com um ar velho e triste, ou, para usar outra metáfora de marujo, como um homem “que vai do meio caminho para terra”. Genoveva entrou logo depois, alegre e barulhenta. Contou à outra a anedota dos seus amores marítimos, gabou muito o gênio do Deolindo e os seus bonitos modos; a amiga declarou achá-lo grandemente simpático.
— Muito bom rapaz, insistiu Genoveva. Sabe o que ele me disse agora?
— Que foi?
— Que vai matar-se.
— Jesus!
— Qual o quê! Não se mata, não. Deolindo é assim mesmo; diz as coisas, mas não faz. Você verá que não se mata. Coitado, são ciúmes. Mas os brincos são muito engraçados.
— Eu aqui ainda não vi destes.
— Nem eu, concordou Genoveva, examinando-os à luz. Depois guardou-os e convidou a outra a coser. — Vamos coser um bocadinho, quero acabar o meu corpinho azul...
A verdade é que o marinheiro não se matou. No dia seguinte, alguns dos companheiros bateram-lhe no ombro, cumprimentando-o pela noite de almirante, e pediram-lhe notícias de Genoveva, se estava mais bonita, se chorara muito na ausência, etc. Ele respondia a tudo com um sorriso satisfeito e discreto, um sorriso de pessoa que viveu uma grande noite. Parece que teve vergonha da realidade e preferiu mentir.
Machado de Assis
Obtido em "http://pt.wikisource.org/wiki/Noite_de_almirante"
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Consolo
-Estou sofrendo.
- Entra e senta. Quer um copo d'água?
Um fim de tarde de domingo é propício a desabafos. Se a chuva chora além da vidraça, tudo parece muito natural.
-Estou te atrapalhando?
- Não, acabei de almoçar. Só tenho que arrumar umas coisinhas aqui em casa.
-Quer ajuda?
-Eu não, mas você quer. Conta o que aconteceu.
E Cecília dedicou longos minutos e enérgicas palavras para contar àquela amiga o que lhe doía o coração.
-Você quer chocolates?
-Ai, eu estou precisando de chocolate!
Em 95% dos casos, os desabafos de uma amiga a outra se trata de "problemas" com homens. Em 99% deles, o primeiro consolo da mulher é uma caixa de bombons.
Os problemas podem ser reais ou não, duradouros ou curtos, mas são sempre - sempre- muito graves.
Maria sempre ouve. Maria dá conselhos. Maria sabe como lidar com amigas sofredoras.
Ao cabo de meia hora de lamentos, xingamentos e prelúdios de lágrimas, Cecília se calou.
Maria, em seus vinte e poucos anos, adquiriu desde o início da adolescência experiência com relacionamentos. Foi de poucos: Algumas paixões, grandes e menores desilusões, um único namoro já terminado, mas muita observação e ouvidos cheios de lamentos alheios.
Quando não se tem experiência com homens, todo silêncio parece ser o fim do mundo. O caso é que os problemas, em quase todas as vezes, são bem menores que o olhar feminino se permite enxergar.
As hiperbólicas mulheres adoram queixar-se de homens com as amigas, com o cachorro, com o vento. E queixam-se enchendo a boca, donas da razão, como toda mulher que se preze.
- Acabe de beber a água e vá até a cozinha. Vou terminar de lavar a louça.
E enquanto passava a esponja em movimentos circulares para ensaboar o único prato sujo, pensava como continuaria a conversa com Cecília. Ao ouvir seus passos entrando na cozinha:
- Deixe o chocolate em cima da mesa. Ele não está te fazendo sofrer.
-Como não, Maria???? (E enfiou mais um bombom na boca) Você não ouviu o que eu acabei de te contar?!
-Ouvi, e é por isso que digo: O Lucas não está te fazendo sofrer.
- Mas eu estou sofrendo, Maria! Tá doendo muito!
-Ah, nisso eu acredito. Acredito que esteja doendo.
- O que ele fez foi errado, não foi? Ele não tinha o direito de fazer isso comigo. Eu não entendo por que ele faz isso comigo. Ele sabe que me machuca. Ele diz que se importa, mas então por que ele me faz sofrer?
-Ele não te faz sofrer.
-Mas estou sofrendo.
-Sofre porque quer.
-Eu quero?!?! Você acha que eu gosto de sofrer?! Que eu gosto de chorar a toda vez que penso nele?! Que gosto de ser ignorada por ele?
- Acho, sim. Se você não gostasse, não entraria a toda hora no orkut dele pra procurar fotos e fatos que comprovam o que você quer acreditar que não está acontecendo.
E Cecília franziu a testa como chupasse limão.
-E se não gostasse de sofrer, não ficaria ligando pra ele incessantemente, sem obter resposta.
-Mas ele pediu pra eu ligar...
-Se ele quisesse falar contigo, atenderia uma das vinte ligações que você fez.
-Mas e se o celular dele estiver com problema? Ele vai pensar que eu não liguei!
E Maria valeu-se de indelicadeza pra convencer a tristonha Ceci:
-Se ele quisesse falar contigo, te ligaria. Pára de ser besta.
E os olhos verdes de Cecília se apagaram e miraram o chão.
As mulheres escondem a razão por detrás da esperança quando têm o coracão ferido.
- O que eu faço?
- Espera a dor ir embora.
-Não consigo! Essa dor não me deixa nunca.
-A dor é dor. Pode vir de fora, mas passa. A dor curtida é sofrimento. A dor dói em quem sente. Só sofre quem quer.
E Maria embalou Cecília em um abraço forte. Esta, em lágrimas, mastigava outro bombom.
- Entra e senta. Quer um copo d'água?
Um fim de tarde de domingo é propício a desabafos. Se a chuva chora além da vidraça, tudo parece muito natural.
-Estou te atrapalhando?
- Não, acabei de almoçar. Só tenho que arrumar umas coisinhas aqui em casa.
-Quer ajuda?
-Eu não, mas você quer. Conta o que aconteceu.
E Cecília dedicou longos minutos e enérgicas palavras para contar àquela amiga o que lhe doía o coração.
-Você quer chocolates?
-Ai, eu estou precisando de chocolate!
Em 95% dos casos, os desabafos de uma amiga a outra se trata de "problemas" com homens. Em 99% deles, o primeiro consolo da mulher é uma caixa de bombons.
Os problemas podem ser reais ou não, duradouros ou curtos, mas são sempre - sempre- muito graves.
Maria sempre ouve. Maria dá conselhos. Maria sabe como lidar com amigas sofredoras.
Ao cabo de meia hora de lamentos, xingamentos e prelúdios de lágrimas, Cecília se calou.
Maria, em seus vinte e poucos anos, adquiriu desde o início da adolescência experiência com relacionamentos. Foi de poucos: Algumas paixões, grandes e menores desilusões, um único namoro já terminado, mas muita observação e ouvidos cheios de lamentos alheios.
Quando não se tem experiência com homens, todo silêncio parece ser o fim do mundo. O caso é que os problemas, em quase todas as vezes, são bem menores que o olhar feminino se permite enxergar.
As hiperbólicas mulheres adoram queixar-se de homens com as amigas, com o cachorro, com o vento. E queixam-se enchendo a boca, donas da razão, como toda mulher que se preze.
- Acabe de beber a água e vá até a cozinha. Vou terminar de lavar a louça.
E enquanto passava a esponja em movimentos circulares para ensaboar o único prato sujo, pensava como continuaria a conversa com Cecília. Ao ouvir seus passos entrando na cozinha:
- Deixe o chocolate em cima da mesa. Ele não está te fazendo sofrer.
-Como não, Maria???? (E enfiou mais um bombom na boca) Você não ouviu o que eu acabei de te contar?!
-Ouvi, e é por isso que digo: O Lucas não está te fazendo sofrer.
- Mas eu estou sofrendo, Maria! Tá doendo muito!
-Ah, nisso eu acredito. Acredito que esteja doendo.
- O que ele fez foi errado, não foi? Ele não tinha o direito de fazer isso comigo. Eu não entendo por que ele faz isso comigo. Ele sabe que me machuca. Ele diz que se importa, mas então por que ele me faz sofrer?
-Ele não te faz sofrer.
-Mas estou sofrendo.
-Sofre porque quer.
-Eu quero?!?! Você acha que eu gosto de sofrer?! Que eu gosto de chorar a toda vez que penso nele?! Que gosto de ser ignorada por ele?
- Acho, sim. Se você não gostasse, não entraria a toda hora no orkut dele pra procurar fotos e fatos que comprovam o que você quer acreditar que não está acontecendo.
E Cecília franziu a testa como chupasse limão.
-E se não gostasse de sofrer, não ficaria ligando pra ele incessantemente, sem obter resposta.
-Mas ele pediu pra eu ligar...
-Se ele quisesse falar contigo, atenderia uma das vinte ligações que você fez.
-Mas e se o celular dele estiver com problema? Ele vai pensar que eu não liguei!
E Maria valeu-se de indelicadeza pra convencer a tristonha Ceci:
-Se ele quisesse falar contigo, te ligaria. Pára de ser besta.
E os olhos verdes de Cecília se apagaram e miraram o chão.
As mulheres escondem a razão por detrás da esperança quando têm o coracão ferido.
- O que eu faço?
- Espera a dor ir embora.
-Não consigo! Essa dor não me deixa nunca.
-A dor é dor. Pode vir de fora, mas passa. A dor curtida é sofrimento. A dor dói em quem sente. Só sofre quem quer.
E Maria embalou Cecília em um abraço forte. Esta, em lágrimas, mastigava outro bombom.
Sonho
-Vem, Clarinha, vem tomar leite!
- Não, mãe. Quero tomar chuva!
E saiu pra rua descalçando as chinelas. Vestia um vestidinho verde pueril, e o sorriso que abriu ao sentir em sua pele moça as primeiras gotas daquela chuva de verão tinha todo o colorido do céu da alvorada.
Pisa a poça, chuta a bola, pula, corre, rodopia no ar.
Bate na casa do vizinho:
Vem, Pedrinho, vem dançar!
E o menino tímido e assustado ficou a olhar. Debaixo do guarda-chuva, encostado no portão, observava deslumbrado o pano verde grudar nas costas morenas de Clarinha.
- Você não está com frio?
- O coração tá quente, Pedrinho. Vem, toma minha mão.
- Mas eu não posso me molhar.
- Pode sim, querendo.
E Clarinha jogava com as mãos as gotas de chuva de volta pro céu.
- A chuva cai pra baixo. Não adianta empurrar pra cima.
- Não quero que pare de chover.
- Nunca?
- Só quando o sol quiser voltar.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Antes de partir
Recentemente assisti ao filme "Antes de partir ". Nele, as personagens vividas por Jack Nicholson e Morgan Freeman sao pacientes terminais que, ao saber de sua condicao, resolvem aproveitar o tempo que lhes resta fazendo coisas que sempre quiseram fazer.
Inspirada pelo filme, resolvi fazer uma lista de 7 coisas (simplesmente porque gosto do número) que pretendo fazer antes de partir.
1- Saltar de pára-quedas.
Devo realizar ainda no primeiro semestre desse ano.
2- Fazer uma tatuagem.
Há algum tempo penso em fazer uma, mas ainda nao me tinha aparecido a idéia que me parecesse realmente ideal. Pensei em tatuar a palavra alema "Lebenslustig", que, numa traducao simplista pode significar "apaixonada pela vida", o que, de fato, sou (e que também está no significado do meu nome).
Há dois dias, no entanto, me surgiu por acaso outra idéia, e agora pareco mais inclinada a tatuar a segunda. Trata-se de um cisne na parte superior direita das minhas costas. Ainda vou fazer algumas pesquisas pra definir o desenho, mas coloco aqui o link de um que gostei.
http://palehecate.deviantart.com/art/Swan-Tattoo-5543413
3-Compor a letra de uma bossa
4- Ser fluente em 6 linguas estrangeiras
O único sonho que tenho desde crianca é ser poliglota. Tenho estudado pra isso. Por enquanto sei/aprendo ingles, alemao e mandarim. Pretendo ainda aprender frances, espanhol e russo ou árabe (se a vida nao me levar a caminhos que possam me fazer interessas por outra)
5- Fazer um mochilao pela América Latina com algumas amigas
6- Aprender a dancar
7- Publicar ao menos um livro
Inspirada pelo filme, resolvi fazer uma lista de 7 coisas (simplesmente porque gosto do número) que pretendo fazer antes de partir.
1- Saltar de pára-quedas.
Devo realizar ainda no primeiro semestre desse ano.
2- Fazer uma tatuagem.
Há algum tempo penso em fazer uma, mas ainda nao me tinha aparecido a idéia que me parecesse realmente ideal. Pensei em tatuar a palavra alema "Lebenslustig", que, numa traducao simplista pode significar "apaixonada pela vida", o que, de fato, sou (e que também está no significado do meu nome).
Há dois dias, no entanto, me surgiu por acaso outra idéia, e agora pareco mais inclinada a tatuar a segunda. Trata-se de um cisne na parte superior direita das minhas costas. Ainda vou fazer algumas pesquisas pra definir o desenho, mas coloco aqui o link de um que gostei.
http://palehecate.deviantart.com/art/Swan-Tattoo-5543413
3-Compor a letra de uma bossa
4- Ser fluente em 6 linguas estrangeiras
O único sonho que tenho desde crianca é ser poliglota. Tenho estudado pra isso. Por enquanto sei/aprendo ingles, alemao e mandarim. Pretendo ainda aprender frances, espanhol e russo ou árabe (se a vida nao me levar a caminhos que possam me fazer interessas por outra)
5- Fazer um mochilao pela América Latina com algumas amigas
6- Aprender a dancar
7- Publicar ao menos um livro
10 coisas que toda mulher precisa experimentar
Recebi por e-mail um artigo que me chamou a atencao. De vez em quando recebo e-mails de canais femininos, e alguns deles (a menor parte, talvez) chegam a despertar meu interesse.
O e-mail que li essa manha chamou minha atencao pelo titulo: 10 coisas que toda mulher precisa experimentar.
Deixo o link no final do post, mas listo abaixo as experiencias citadas, e meus comentários:
(OBS: notarao a ausencia de tis, cedilhas, e alguns acentos. Nao é burrice, é preguica, porque o teclado que estou usando nao é brasileiro e agora estou com preguica e sem tempo pra acentuar o texto todo. espero que entendam.)
1. Fazer uma viagem sozinha.
A psicóloga consultada para a elaboracao da lista, diz que é importante que a mulher viva a experiencia de nao depender de ninguem e de tomar todas as decisoes sozinha.
Concordo plenamente com a idéia. Já tive a oportunidade de fazer algumas viagens sozinha, ainda que curtas, e é muito bom poder acordar na hora que voce quer, ir a lugares que realmente te interessam, e, de quebra, conhecer viajantes que estao no mesmo barco que voce. Quando se viaja em grupo, tende-se a ficar mais fechado a oportunidade de fazer novos contatos.
Primeiro ponto: realizadissimo
2. Ter uma deliciosa noite de sexo sem compromisso.
Concordo. Depois que nós, meninas recatadas, deixamos de lado os tabus e preconceitos, nos damos conta de que é, de fato, uma ótima experiencia. Atente a questao "deliciosa", caso contrário, pode nao valer a pena. Ninguém quer acordar na manha seguinte com o pensamento "Por que que eu dei pra esse cara?" Portanto, é bom nao sair por ai dando pra qualquer um, pagando de liberal. Seletividade é a chave do negócio.
Segundo ponto: Muito bem realizado
3. Colocar suas finanças em dia.
Importantissimo. Se gostamos de gastar, é bom saber administrar pra PODER gastar (sem depender do papai ou do companheiro).
Terceiro ponto: Colocar em prática
4. Aprender a cozinhar um prato exótico.
No texto, entende-se por exótico um prato distante do seu dia a dia. Gosto muito de cozinhar e cozinho bastante. Fiquei um tempo pensando se eu já cozinhei um prato exótico, e o mais perto que cheguei disso foi meus tomates recheados com carne moida e etc (que aprendi com uma tcheca), mas nao é nada exótico. É tomate, temperos, queijo e carne moida!
Quarto ponto: Pesquisar pratos EFETIVAMENTE EXÓTICOS e realizar. Oferecer jantar para amigos.
5. Experimentar novidades na cama.
Falar que sou geminana deixa tudo claro?
Quinto ponto: Nasci pra isso :P
6. Despertar a artista em você.
Tenho um pouco de medo dessa palavra "artista", porque lembro-me que na Casa dos Artistas nao tinha artista nenhum. De qualquer maneira, nos últimos tempos tenho me dedicado mais ao meu trabalho vocal, e voltei a escrever.
Sexto ponto: Continuar as aulas de violao e levar o blog adiante.
7. Decretar um dia da beleza. Um dia em qual periodo de tempo?
Costumo reservar um dia da semana pra isso. A fase punk rock da minha adolescencia me serviu pra treinar minha manicure. Porque eu só pintava minhas unhas de preto, tinha que refaze-las quase que diariamente, e nasceu um novo talento. Banhos de creme, exfoliacao corporal e facial, e depilacao: To muito bem aparelhada em casa, mas a idéia de terapias alternativas me agrada.
Sétimo ponto: Economizar pra ir a um centro de estética.
8. Planejar seu futuro profissional.
Já planejei meu futuro profissional: Tradutora, escritora e professora.
Alguém dise que tenho que ser uma coisa só o resto da vida? Se disse, será ignorado. Nao tenho 23 anos e tenho interesses vários: Fazer legendagem e dublagem, cantar em bares, trabalhar com eventos...
Mas o que eu quero mesmo é ser a chefe de mim mesma, nao ter de mandar em ninguém, poder trabalhar em qualquer lugar e ganhar dinheiro bastante pra viver minha vida (e aproveita-la!).
Oitavo ponto: Levar do planejamento a realidade.
9. Descobrir uma nova atividade física.
Recentemente descobri os beneficios da corrida e esta tem sido minha atividade fisica de maior interesse. Tenho como meta participar de maratonas daqui pra frente.
Fazia um tempo que andava parada com atividades fisicas. Já pratiquei várias: Volei, handball, canoagem, jazz (que larguei depois de me embananar no contratempo), lambaeróbica (quase concomitante com a fase punk, olha que coisa!), ginastica localizada, circuito de fitness, musculacao (que hoje pratico)...
Ponto 9: Manter a corrida e a musculacao e procurar aula de danca. Talvez tope o convite do Bruno e entre na aula de salsa com ele. Ou me junto a minha irma e comecamos danca de salao. (to querendo aprender a dancar).
10. Ser mais zen. Sou bem zen. Procuro fazer do meu apartamento, e em especial, meu quarto, locais agradáveis, pratico respiracao consciente e harmonizo a casa com incenso.
Ponto dez: Ir ao templo budista com o Bruno e com a Vivi (prometi ano passado)
http://www.minhavida.com.br/materias/bemestar/10+coisas+que+toda+mulher+precisa+experimentar.mv?utm_source=news_mv_saude_f&utm_medium=09_01_16&utm_term=top5&utm_content=materia_dt&utm_campaign=mulher_experi
O e-mail que li essa manha chamou minha atencao pelo titulo: 10 coisas que toda mulher precisa experimentar.
Deixo o link no final do post, mas listo abaixo as experiencias citadas, e meus comentários:
(OBS: notarao a ausencia de tis, cedilhas, e alguns acentos. Nao é burrice, é preguica, porque o teclado que estou usando nao é brasileiro e agora estou com preguica e sem tempo pra acentuar o texto todo. espero que entendam.)
1. Fazer uma viagem sozinha.
A psicóloga consultada para a elaboracao da lista, diz que é importante que a mulher viva a experiencia de nao depender de ninguem e de tomar todas as decisoes sozinha.
Concordo plenamente com a idéia. Já tive a oportunidade de fazer algumas viagens sozinha, ainda que curtas, e é muito bom poder acordar na hora que voce quer, ir a lugares que realmente te interessam, e, de quebra, conhecer viajantes que estao no mesmo barco que voce. Quando se viaja em grupo, tende-se a ficar mais fechado a oportunidade de fazer novos contatos.
Primeiro ponto: realizadissimo
2. Ter uma deliciosa noite de sexo sem compromisso.
Concordo. Depois que nós, meninas recatadas, deixamos de lado os tabus e preconceitos, nos damos conta de que é, de fato, uma ótima experiencia. Atente a questao "deliciosa", caso contrário, pode nao valer a pena. Ninguém quer acordar na manha seguinte com o pensamento "Por que que eu dei pra esse cara?" Portanto, é bom nao sair por ai dando pra qualquer um, pagando de liberal. Seletividade é a chave do negócio.
Segundo ponto: Muito bem realizado
3. Colocar suas finanças em dia.
Importantissimo. Se gostamos de gastar, é bom saber administrar pra PODER gastar (sem depender do papai ou do companheiro).
Terceiro ponto: Colocar em prática
4. Aprender a cozinhar um prato exótico.
No texto, entende-se por exótico um prato distante do seu dia a dia. Gosto muito de cozinhar e cozinho bastante. Fiquei um tempo pensando se eu já cozinhei um prato exótico, e o mais perto que cheguei disso foi meus tomates recheados com carne moida e etc (que aprendi com uma tcheca), mas nao é nada exótico. É tomate, temperos, queijo e carne moida!
Quarto ponto: Pesquisar pratos EFETIVAMENTE EXÓTICOS e realizar. Oferecer jantar para amigos.
5. Experimentar novidades na cama.
Falar que sou geminana deixa tudo claro?
Quinto ponto: Nasci pra isso :P
6. Despertar a artista em você.
Tenho um pouco de medo dessa palavra "artista", porque lembro-me que na Casa dos Artistas nao tinha artista nenhum. De qualquer maneira, nos últimos tempos tenho me dedicado mais ao meu trabalho vocal, e voltei a escrever.
Sexto ponto: Continuar as aulas de violao e levar o blog adiante.
7. Decretar um dia da beleza. Um dia em qual periodo de tempo?
Costumo reservar um dia da semana pra isso. A fase punk rock da minha adolescencia me serviu pra treinar minha manicure. Porque eu só pintava minhas unhas de preto, tinha que refaze-las quase que diariamente, e nasceu um novo talento. Banhos de creme, exfoliacao corporal e facial, e depilacao: To muito bem aparelhada em casa, mas a idéia de terapias alternativas me agrada.
Sétimo ponto: Economizar pra ir a um centro de estética.
8. Planejar seu futuro profissional.
Já planejei meu futuro profissional: Tradutora, escritora e professora.
Alguém dise que tenho que ser uma coisa só o resto da vida? Se disse, será ignorado. Nao tenho 23 anos e tenho interesses vários: Fazer legendagem e dublagem, cantar em bares, trabalhar com eventos...
Mas o que eu quero mesmo é ser a chefe de mim mesma, nao ter de mandar em ninguém, poder trabalhar em qualquer lugar e ganhar dinheiro bastante pra viver minha vida (e aproveita-la!).
Oitavo ponto: Levar do planejamento a realidade.
9. Descobrir uma nova atividade física.
Recentemente descobri os beneficios da corrida e esta tem sido minha atividade fisica de maior interesse. Tenho como meta participar de maratonas daqui pra frente.
Fazia um tempo que andava parada com atividades fisicas. Já pratiquei várias: Volei, handball, canoagem, jazz (que larguei depois de me embananar no contratempo), lambaeróbica (quase concomitante com a fase punk, olha que coisa!), ginastica localizada, circuito de fitness, musculacao (que hoje pratico)...
Ponto 9: Manter a corrida e a musculacao e procurar aula de danca. Talvez tope o convite do Bruno e entre na aula de salsa com ele. Ou me junto a minha irma e comecamos danca de salao. (to querendo aprender a dancar).
10. Ser mais zen. Sou bem zen. Procuro fazer do meu apartamento, e em especial, meu quarto, locais agradáveis, pratico respiracao consciente e harmonizo a casa com incenso.
Ponto dez: Ir ao templo budista com o Bruno e com a Vivi (prometi ano passado)
http://www.minhavida.com.br/materias/bemestar/10+coisas+que+toda+mulher+precisa+experimentar.mv?utm_source=news_mv_saude_f&utm_medium=09_01_16&utm_term=top5&utm_content=materia_dt&utm_campaign=mulher_experi
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Janta
Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade
Eu quis te convencer mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Caminho em frente pra sentir saudade
Paper clips and crayons in my bed
Everybody thinks that i'm sad
I'll take a ride in melodies and bees and birds
Will hear my words
Will be both us and you and them together
Cause i can forget about myself, trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
And please my day
I let you stay with me if you surrender
(Marcelo Camelo)
Cabe o não dá
A obrigação de sentir culpa me traz ao papel. Não há desculpas, haveria perdão se eu te contasse. Teu coração, sempre aberto, perdoaria tudo pra não me perder.
Nunca te faltei com lealdade. Acordo mútuo, nos entendemos, nunca te trai.
Disse que bocas não passam de bocas e os toques que só despertam prazer não são perigo. Por isso não temiamos.
Eu não temia me interessar por um novo alguém. Teu gosto me bastava, a distância alimentava nossos sonhos e viviamos em paz, eu e você.
Você não tinha medo, pois eu te transparecia por olhares e declarações a intacta segurança que eu tinha em meu amor. Vivíamos em paz, nós dois.
Meu amor era tal, que os beijos que desperdicei - com consentimento teu- não ficaram no coração nem na memória, e foram de tal insignificância, que não os eternizei no papel.
Mas o beijo que não dei...
Uma tarde qualquer quis que meus ouvidos ouvissem a música que me trouxe a idéia dele. Eu pensava tê-lo feito em mim apenas memória, mas foi mais...
Dentro de mim eu colocara uma caixinha, e entre as paredes revestidas de veludo negro, guardei-o adormecido.
Mas a música tomou conta de mim, a caixinha se abriu, e aos poucos ele foi transbordando dentro de mim. Então veio impulso, quereres, sorrisos, palavras, e tudo que antes vinha com a idéia dele.
E o procurei.
Quis esquecer, não querendo. Devia deletar, apagar, mas algo urgia dentro de mim, e então procurei, e insisti, e cansei, e revi.
Revi aqueles olhos negros de segredo. Deleitei-me no corpo e não deletei o corpo dele de mim.
Depois senti urgência, e pra tentar retê-lo, vesti-me na nudez que me protegia e fui atrás.
Lutei contra verdades, embriaguei-me de enganos, e num ato de desespero para esquecê-lo, agarrei-me no triz que sobrava de você em mim. Mas era mentira.
Tudo já havia mudado. Meus sonhos antigos voltaram a me chamar. Os teus sonhos coloridos se me tornaram desconfortáveis. Busquei pretextos e motivos pra ficar, mas só consegui chorar.
Chorei meu choro mais sincero, mas dentro de mim, eu não sofria.
Sofria por você. Por pisotear teus castelos de areia e apagar tua luz.
Mas que culpa tenho eu, meu Deus?! Meus olhos já nao brilhavam mais por ti! A idéia de você já não era só afago, e eu te feria com olhares frios e com a ausência de palavras doces.
Nao queria ser pra você o que eu não sou. Eu só quero teu bem. Por isso do tempo. Pra te poupar de injúrias e fúrias que não eram contra você.
Contra mim... Eu quis lutar contra algo que me nasceu sem que eu quisesse. Não plantei coisa alguma.
Me desculpe por não sentir culpa.
Me diz, que culpa tem a chuva de chover!? Que culpa tenho eu de não mais te querer?
Não culpe a ele, nem a mim. Nós sabemos que ele não é motivo, foi estopim.
Não pude mais me enganar. 15 horas no céu para te encontrar, e meu pensamento longe de ti. Todas minhas palavras eram pra buscá-lo em mim.
Cheguei, e percebi que nos teus olhos não procurava você.
E pra não trair a mim mesma, assumi os fatos. Abriguei a chuva, e pra me manter leal a ti, com todas as letras duras você ouviu sair desses lábios que não são mais teus:
Acabou.
Nunca te faltei com lealdade. Acordo mútuo, nos entendemos, nunca te trai.
Disse que bocas não passam de bocas e os toques que só despertam prazer não são perigo. Por isso não temiamos.
Eu não temia me interessar por um novo alguém. Teu gosto me bastava, a distância alimentava nossos sonhos e viviamos em paz, eu e você.
Você não tinha medo, pois eu te transparecia por olhares e declarações a intacta segurança que eu tinha em meu amor. Vivíamos em paz, nós dois.
Meu amor era tal, que os beijos que desperdicei - com consentimento teu- não ficaram no coração nem na memória, e foram de tal insignificância, que não os eternizei no papel.
Mas o beijo que não dei...
Uma tarde qualquer quis que meus ouvidos ouvissem a música que me trouxe a idéia dele. Eu pensava tê-lo feito em mim apenas memória, mas foi mais...
Dentro de mim eu colocara uma caixinha, e entre as paredes revestidas de veludo negro, guardei-o adormecido.
Mas a música tomou conta de mim, a caixinha se abriu, e aos poucos ele foi transbordando dentro de mim. Então veio impulso, quereres, sorrisos, palavras, e tudo que antes vinha com a idéia dele.
E o procurei.
Quis esquecer, não querendo. Devia deletar, apagar, mas algo urgia dentro de mim, e então procurei, e insisti, e cansei, e revi.
Revi aqueles olhos negros de segredo. Deleitei-me no corpo e não deletei o corpo dele de mim.
Depois senti urgência, e pra tentar retê-lo, vesti-me na nudez que me protegia e fui atrás.
Lutei contra verdades, embriaguei-me de enganos, e num ato de desespero para esquecê-lo, agarrei-me no triz que sobrava de você em mim. Mas era mentira.
Tudo já havia mudado. Meus sonhos antigos voltaram a me chamar. Os teus sonhos coloridos se me tornaram desconfortáveis. Busquei pretextos e motivos pra ficar, mas só consegui chorar.
Chorei meu choro mais sincero, mas dentro de mim, eu não sofria.
Sofria por você. Por pisotear teus castelos de areia e apagar tua luz.
Mas que culpa tenho eu, meu Deus?! Meus olhos já nao brilhavam mais por ti! A idéia de você já não era só afago, e eu te feria com olhares frios e com a ausência de palavras doces.
Nao queria ser pra você o que eu não sou. Eu só quero teu bem. Por isso do tempo. Pra te poupar de injúrias e fúrias que não eram contra você.
Contra mim... Eu quis lutar contra algo que me nasceu sem que eu quisesse. Não plantei coisa alguma.
Me desculpe por não sentir culpa.
Me diz, que culpa tem a chuva de chover!? Que culpa tenho eu de não mais te querer?
Não culpe a ele, nem a mim. Nós sabemos que ele não é motivo, foi estopim.
Não pude mais me enganar. 15 horas no céu para te encontrar, e meu pensamento longe de ti. Todas minhas palavras eram pra buscá-lo em mim.
Cheguei, e percebi que nos teus olhos não procurava você.
E pra não trair a mim mesma, assumi os fatos. Abriguei a chuva, e pra me manter leal a ti, com todas as letras duras você ouviu sair desses lábios que não são mais teus:
Acabou.
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