Preciso de horas inúmeras pra realizar todas as imagens que se impuseram na minha mente durante essa semana.
Minhas mãos anseiam pelo corpo teu, ao que possam ser submissas e servir com toques suaves uma massagem muito, muito pensada. Algumas vezes já testadas -a qualquer fechar de olhos-, mas ainda não materialmente realizada.
A massagem é o começo. Começo longo e sem pressa, que prelude a intensidade que está por vir.
Meia luz, odores mornos, som de embalo, toque devoto e um suave gosto estimulante.
Depois do corpo envolto por um calor delicadamente sugerido, o beijo. Aquele mesmo beijo diferente do de antes. Concluo que os sonhos têm poder de aperfeiçoamento, pois de tanto desejar teu corpo nesse intervalo, ele ficou assim, tão você: Homem.
O beijo! Que beijo! A língua é a mesma. Os lábios continuam deliciosamente vermelhos, como sempre foram: Molhados, irresistíveis. Foram sempre. Mas o beijo não era antes assim. Fora beijinho. Beijão-beijinho. Nele só troca de saliva e movimento desnorteado de línguas. Por certo deu-se o que se deu, mesmo com eles. Se não os houvesse, também se daria. Mas com estes...(!) Dar-se-há infinitamente mais?
Teu beijo tem uma violência delicada. Um massagear dos lábios que convidam o corpo todo a participar de um encontro de toques e gostos. O prazer não se esgota com o cessar dos movimentos das línguas, mas aumenta, e molha, e pede, e suplica que não pare. E quer mais. Queromais! O tal gostinho já se dá.
Escrevo pra não ligar. Pra não ir atrás, pra não me precipitar. Se não fosses tão capricorniano, já estariam estas imagens no abrigo do meu quarto. Continuo a escrever, você não vem.
Continuo escrevendo as imagens que foram se formando fortemente depois do "até mais". Já não durmo sem orvalho no sul. As mãos no meu prazer, a cabeça no teu. Tens a força de causar o desejo indomável que não me permite negar que continuo pensando e desejando, e fantasiando. Relato por ser de gêmeos, e contra essa sufocante verdade, crio paciência.
Paramos no beijo contínuo e continuo.
Meu corpo sobre o teu. Um contato de peles bem-vindas, meus joelhos rondando seu quadril. Minhas pernas acolhem as tuas e meu rosto busca tua nuca.
Um cheiro bem teu: aspiro.
Aspiro como você aspirou o meu, como quisesse inspirar a essência de mim. A tua essência? Mistério eterno, enigma indissolúvel, atração sem fim.
Seu cheiro é tomado pela minha boca, que lambe modesta o pescoço e mordisca roçando a pele adocicada nos teus pêlos viris. Gosto daqui: da proximidade com a tua boca, do pulsar, do teu peito.
Mas algo me chama palpitante ao sul. Minhas mão se prontificam: Uma o afaga, a outra envolve a nuca e guia teu rosto inédito ao novo encontro dos lábios teus com os meus.
Dispo-te da única peça que te resta, preta. Não faço alarde. Apenas satisfaço-me com a certeza da presença real e dura de você.
Escondo minha veneração e ponho-me mulher. Dominadora submissa, pois enorme parte do prazer que é meu se dá com a comprovação do teu.
Que poder tem minha boca linda! Já aprontada pela tua, põe-se em busca de novas formas de prazer enquanto pretende transmitir todo o ardor que está sentindo. Quero frio, calor, suor, línguas e lábios incansáveis. Dou tudo. Sinto escorrer-me o prazer ao escrever- é manifestação do gosto real.
A hora não me importa. Quero ver no teu rosto o que te proporciono. Sirvo-te porque quero o teu e o meu prazer. Faço-me inteira e intensamente tua.
Dedico-me aos beijos que você me pede ofegante. Te beijo sorrindo de satisfação; Minhas mãos por você, descobrindo cada foco de prazer do teu corpo, que é de um moreno delicioso. Deixo-me envolver pelos teus braços intimidantes e você me guia. Faz o que quer, eu também quero. Quero sentir você em mim e te fazer sentir que sou tua.
Por instantes saboreio o gosto raro de sentir que você é meu. Domino seu corpo, sinto seus cheiros, recebo carícias e palavras ousadas.
Já sabes do que gosto: Do puxar agressivo dos meus cachos e concomitantes beijos suaves na testa; das palavras vulgares que excitam a você e a mim.
Ponho braços e pernas onde teu corpo me quer.
Fazemo-nos um só, mas não como os outros, pela sonhada união da alma.
Fazemo-nos um pela profunda coincidência da satisfação dos nossos dois prazeres.
Quero e mereço um dia sem pressa.
São Paulo, 06/08/2008
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando
Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar
Porque eu tô voltando
Dá uma geral, faz um bom defumador
Enche a casa de flor
Que eu tô voltando
Pega uma praia, aproveita, tá calor
Vai pegando uma cor
Que eu tô voltando
Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar porque eu tô voltando
Põe pra tocar na vitrola aquele som
Estréia uma camisola
Eu tô voltando
Dá folga pra empregada
Manda a criançada pra casa da avó
Que eu to voltando
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero lá, lá, lá, ia, porque eu to voltando!
César Pinheiro e Mauricio Tapajós
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando
Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar
Porque eu tô voltando
Dá uma geral, faz um bom defumador
Enche a casa de flor
Que eu tô voltando
Pega uma praia, aproveita, tá calor
Vai pegando uma cor
Que eu tô voltando
Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar porque eu tô voltando
Põe pra tocar na vitrola aquele som
Estréia uma camisola
Eu tô voltando
Dá folga pra empregada
Manda a criançada pra casa da avó
Que eu to voltando
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero lá, lá, lá, ia, porque eu to voltando!
César Pinheiro e Mauricio Tapajós
sábado, 24 de janeiro de 2009
O amor nao morre
O amor nao some
O amor nao acaba.
O amor se faz como a flor
E se desfaz como o sorriso
Assim, sem expicacao
Sem razao
Sem motivo
Um dia fui dormir com o pensamento em voce
No outro, meus sonhos eram com voce
Eu sonhava seus sonhos
Eu dormia seu sono
Eu vivia em voce
Mas passou o verao, acabou o outono, e o inverno chegou
E o inverno se foi, e veio a primavera
Foi entao que despertei e vi meu amor se desfazer
E me dei conta de que o dia amanheceu apesar de voce
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Não por acaso me lembrei dessa música.
Sempre que há roda de música lá em casa, meu pai toca essa música ao violão.
Faustina corre aqui depressa
olha quem está no portão
É minha sogra com as malas
ela vem decidida a morar no porão
Vai ser o diabo, vamos ter sururú com o vizinho
não estou pra isso, eu vou dar o fora
decididamente vou morar sozinho
É minha sogra, mas, tenha paciência
não há quem possa com essa jararaca
meu sogro foi de maca pra assistência
com o corpo todo retalhado à faca
Mas comigo é diferente; não tenho medo desta cara feia
pego a pistola: disperdiço o pente...
ela descansa e eu vou pra cadeia.
Sempre que há roda de música lá em casa, meu pai toca essa música ao violão.
Faustina corre aqui depressa
olha quem está no portão
É minha sogra com as malas
ela vem decidida a morar no porão
Vai ser o diabo, vamos ter sururú com o vizinho
não estou pra isso, eu vou dar o fora
decididamente vou morar sozinho
É minha sogra, mas, tenha paciência
não há quem possa com essa jararaca
meu sogro foi de maca pra assistência
com o corpo todo retalhado à faca
Mas comigo é diferente; não tenho medo desta cara feia
pego a pistola: disperdiço o pente...
ela descansa e eu vou pra cadeia.
A utilidade do til
Desconsiderando as normas da gramática, reflitamos acerca da utilidade do til.
Sem dúvida, temos no nosso vasto vocabulário da língua de Camoes inúmeras palavras que sao coroadas com essa adorável minhoquinha.
Mas, de fato, precisamos dela?
Se eu escrevo "bobao", assim mesmo, sem til, dá pra compreender o significado?
Talvez nao dê, e, realmente, soa estranho. Mas simplifico: Bobinho.
Mas você há de convir que certas palavras nem precisam ser modificadas:
Paixao, tesao, babao.
Mas se fazes questÃo, lanço mÃo do copy-paste:
Ontem fiz musculaçÃo e um gostosÃo branquelo pediu permissÃo para usar o aparelho de fazer flexÃo horizontal. NÃo entendi na hora, pois o camarÃo nÃo fala outra lingua senÃo a dele, que nÃo é a nossa. Fiz cara de interrogaçÃo, levantei a mÃo e pedi que esperasse. Ele, entÃo, foi fazer flexÃo de braços no chÃo. Depois que terminei, chamei sua atençÃo e sorri, e ele entrou em açÃo.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
O sexo selvagem pode levar à interrupção constrangedora de uma transa
Contava eu nove anos.
Morava num sobrado, numa viela na zona sul de São Paulo.
A casa tinha três quartos no andar superior. O da minha irmã mais velha dava pra ruazinha estreita, com vista pras casas coloridas geminadas do outro lado da rua. Em direção ao quintal dos fundos, passando as escadas de madeira, ficava o maior quarto, que eu dividia com minha irmã caçula. No final do corredor encarpetado que não era muito longo, dormiam meus pais.
Não me lembro bem a noite nem a estação do ano em que isso se passou, mas certamente era uma noite fria.
Quando criança, toda noite antes de dormir, me enfiava debaixo dos lençóis e erguia os braços, fazendo cara de dó, e com um tom mais infantil que minha verdadeira idade, pedia manhosa:
"Mamãe, vem me cobrir"
E minha impecável e paciente mãe me cobria, me envolvia em um abraço quente, e nos contava uma estória para dormimos com imagens de reinos e florestas e animais e amores.
Vez ou outra, se no meio da noite meu sono agitado me descobria, sem culpa nenhuma, gritava:
"Mamãe, estou com frio!".
Embora vez ou outra demorasse, ela vinha amavelmente me cobrir, e eu segurava sua mão, porque queria não só o acalanto no corpo, como na minha alma carente infantil. Ela, então, deitava-se a meu lado, e pedia pra eu cantar uma canção, e minha voz embalava seu sono interrompido.
Mas numa noite, meus pés gelados tiveram que ser cobertos por minhas mãos, e minha alma carente abriu espaço a dúvida e curiosidade.
Ao sentir meus pés gelados, quis gritar "mamãe", mas os ruidos que ouvi me fizeram calar.
Atentei meus ouvidos, e todo som que eu ouvia era de dor. Um som inconstante, de volume alternante. Abri meus olhos no escuro como querendo enxergar o que vinha do quarto do fim do corredor.
Ouvia a voz de minha mãe gritar de dor, e me levantei da cama.
"O que meu pai está fazendo com ela?", pensei.
Sentada na cama, por minutos pensei o que poderia estar acontecendo. Nada me parecia convincente o suficiente.
"Será que ele está batendo nela?"
Mas nunca antes ouvira os dois brigarem, e menos ainda testemunhara qualquer insinuação de agressão fisica por parte do meu pai, homem bonissimo.
Tomei coragem e enfrentei o escuro corredor. Parei em frente à porta creme, e meus ouvidos procuravam provas sonoplásticas de agressão fisica, e, uma vez obtidas, eu bravamente abriria a porta do quarto e salvaria minha mãe vitimizada.
Não houve prova alguma, e os gemidos não me soavam como aqueles que expomos quando temos dor de barriga. Me restou recuar, contrariada.
Voltei à minha cama já fria e enquanto procurava o teto no escuro, veio-me a resposta:
...
"Será? Não... Meu pai não faria isso com ela! Por que ele faria isso com ela? O que ela fez pra ele?"
E foi essa a primeira idéia de sexo que eu tive na minha cabeça de criança.
Morava num sobrado, numa viela na zona sul de São Paulo.
A casa tinha três quartos no andar superior. O da minha irmã mais velha dava pra ruazinha estreita, com vista pras casas coloridas geminadas do outro lado da rua. Em direção ao quintal dos fundos, passando as escadas de madeira, ficava o maior quarto, que eu dividia com minha irmã caçula. No final do corredor encarpetado que não era muito longo, dormiam meus pais.
Não me lembro bem a noite nem a estação do ano em que isso se passou, mas certamente era uma noite fria.
Quando criança, toda noite antes de dormir, me enfiava debaixo dos lençóis e erguia os braços, fazendo cara de dó, e com um tom mais infantil que minha verdadeira idade, pedia manhosa:
"Mamãe, vem me cobrir"
E minha impecável e paciente mãe me cobria, me envolvia em um abraço quente, e nos contava uma estória para dormimos com imagens de reinos e florestas e animais e amores.
Vez ou outra, se no meio da noite meu sono agitado me descobria, sem culpa nenhuma, gritava:
"Mamãe, estou com frio!".
Embora vez ou outra demorasse, ela vinha amavelmente me cobrir, e eu segurava sua mão, porque queria não só o acalanto no corpo, como na minha alma carente infantil. Ela, então, deitava-se a meu lado, e pedia pra eu cantar uma canção, e minha voz embalava seu sono interrompido.
Mas numa noite, meus pés gelados tiveram que ser cobertos por minhas mãos, e minha alma carente abriu espaço a dúvida e curiosidade.
Ao sentir meus pés gelados, quis gritar "mamãe", mas os ruidos que ouvi me fizeram calar.
Atentei meus ouvidos, e todo som que eu ouvia era de dor. Um som inconstante, de volume alternante. Abri meus olhos no escuro como querendo enxergar o que vinha do quarto do fim do corredor.
Ouvia a voz de minha mãe gritar de dor, e me levantei da cama.
"O que meu pai está fazendo com ela?", pensei.
Sentada na cama, por minutos pensei o que poderia estar acontecendo. Nada me parecia convincente o suficiente.
"Será que ele está batendo nela?"
Mas nunca antes ouvira os dois brigarem, e menos ainda testemunhara qualquer insinuação de agressão fisica por parte do meu pai, homem bonissimo.
Tomei coragem e enfrentei o escuro corredor. Parei em frente à porta creme, e meus ouvidos procuravam provas sonoplásticas de agressão fisica, e, uma vez obtidas, eu bravamente abriria a porta do quarto e salvaria minha mãe vitimizada.
Não houve prova alguma, e os gemidos não me soavam como aqueles que expomos quando temos dor de barriga. Me restou recuar, contrariada.
Voltei à minha cama já fria e enquanto procurava o teto no escuro, veio-me a resposta:
...
"Será? Não... Meu pai não faria isso com ela! Por que ele faria isso com ela? O que ela fez pra ele?"
E foi essa a primeira idéia de sexo que eu tive na minha cabeça de criança.
Assinar:
Postagens (Atom)